A Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Rifa.com, mirando um esquema de comercialização ilegal de armas de fogo através de rifas online. A ação ocorre dois meses após a PF assumir o controle das licenças e fiscalização de colecionadores, atiradores desportivos e caçadores (CACs).
O alvo da operação é um indivíduo que se apresentava como despachante de armas e promovia sorteios de armamentos de uso permitido e restrito em grupos de mensagens. Investigações indicam que um esquema semelhante já havia sido denunciado em março, envolvendo pessoas ligadas à atividade de caça.
As rifas eram divulgadas em grupos de WhatsApp, onde armas como pistolas Glock calibre 380 e espingardas Winchester calibre 22 (a R$ 50 por número) eram sorteadas. Há registros de ao menos 13 rifas de armas realizadas em 2024, camufladas como “ações beneficentes”.
Um técnico em enfermagem é apontado como o principal suspeito de liderar o esquema, exibindo sua paixão pela caça em redes sociais. A PF não encontrou armas cadastradas em seu nome no Sistema Nacional de Armas (Sinarm), mas identificou duas registradas no Sistema de Gerenciamento Militar de Armas (Sigma).
A investigação aponta para a suspeita de venda ilegal de armas para organizações criminosas e lavagem de dinheiro. No entanto, a ausência de antecedentes criminais do investigado diminui, por ora, a suspeita de ligação com o crime organizado.
A prática de rifar armas é proibida pela legislação brasileira, configurando comércio ilegal de arma de fogo, com pena de 6 a 12 anos de reclusão e multa. A operação da PF era esperada, visto que os autores do esquema já haviam sido identificados.
A Polícia Federal assumiu o controle do registro e fiscalização de CACs em 1º de julho. O Ministério da Justiça e Segurança Pública destinou R$ 20 milhões para que a PF assumisse a nova atribuição. A instituição qualificou 600 servidores e criou delegacias e núcleos de Controle de Armas.
Antes da transição, um painel de business intelligence (BI) foi desenvolvido para monitorar dados estatísticos relacionados aos CACs. A PF agora é responsável por registro, autorização de compra e transferência de armas, fiscalização das atividades dos CACs, concessão de guias de tráfego e controle do comércio varejista para pessoa física.






