Pivô de Afastamento de Desembargador é Suspeito de Mandar Sequestrar a Própria Filha

Gerson Palermo, o homem cujo caso levou ao afastamento do desembargador Divoncir Schreiner Maran do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), agora enfrenta acusações de ser o mandante do sequestro de sua filha de 25 anos. A jovem foi mantida em cárcere privado em , Campo Grande, e libertada no último sábado (25).

O plano teria começado com uma ligação de Palermo para a filha, alegando que enviaria alguém para entregar-lhe dinheiro para ajudar no tratamento da avó, que está acamada. Ao entrar no veículo para receber o suposto auxílio, a jovem foi sequestrada. A motivação inicial seria a tentativa de reaver R$ 50 mil.

Durante o período de cativeiro, os sequestradores enviaram fotos e mensagens de áudio da vítima para seu marido, que prontamente acionou a Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros (Garras).

As investigações policiais apontam Gerson Palermo como o principal suspeito de ter arquitetado o crime. Em uma ligação com o genro e o avô materno da jovem, Palermo teria afirmado que nada aconteceria com a filha caso o dinheiro fosse “devolvido”.

Após ser libertada, a jovem relatou ter sofrido violência física e psicológica no cativeiro, incluindo ameaças de mutilação, coronhadas, chutes e intimidações de morte. Seu marido também foi ameaçado caso não entregasse o resgate, que não chegou a ser pago.

Na ação de resgate do Garras, um envolvido no sequestro foi preso. As autoridades continuam as buscas para identificar e capturar os demais participantes, incluindo Gerson Palermo, um integrante de facção criminosa que está foragido da Justiça há cinco anos.

Palermo, condenado a 126 anos de prisão, está foragido desde 22 de abril de 2020, quando teve sua prisão domiciliar revogada um dia após a concessão. No mesmo dia em que foi liberado, ele retirou a tornozeleira eletrônica e fugiu.

Este caso foi levado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que em setembro de 2023 decidiu investigar o desembargador Divoncir Schreiner Maran pela concessão de liberdade ao chefe do tráfico, condenado a mais de um século de prisão.

Em fevereiro de 2024, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou o afastamento do magistrado de suas funções, proibindo-o de entrar em prédios do Judiciário Estadual. O gabinete de Maran também foi alvo de busca e apreensão, assim como seus filhos, esposa e advogados ligados a ele, devido a indícios de corrupção no caso. Em abril, o magistrado se aposentou ao completar 75 anos, idade máxima para permanecer na magistratura.

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