A Polícia Federal (PF) deu início a um inquérito para investigar a divulgação de informações sobre o transporte de toneladas de cocaína em toras de madeira, apreendidas em Corumbá e Cáceres, no estado de Mato Grosso. A operação ocorreu no dia 21 de junho, quando a Receita Federal informou ter encontrado cocaína líquida escondida entre 260 toneladas de madeira. A PF busca esclarecer os motivos que levaram à divulgação precoce dos detalhes da apreensão e a forma como a denúncia foi elaborada e disseminada.
Inicialmente, a Receita Federal havia comunicado que as toras de madeira transportadas em oito caminhões, sendo quatro em Corumbá e quatro em Cáceres, continham a substância ilícita. Caso a informação fosse confirmada, essa apreensão se tornaria a maior de cocaína registrada no Brasil. Contudo, exames realizados na carga não detectaram a presença do entorpecente. Apesar dos laudos negativos, a carga continua sob custódia da Receita Federal.
A perícia realizada pelo Setor Técnico-Científico da Superintendência Regional de Polícia Federal em Mato Grosso do Sul coletou 52 amostras da carga para análise. Os laudos conclusivos dos quatro caminhões apreendidos, datados do dia 21 de junho, indicaram que não havia vestígios de cocaína. Os testes realizados no Laboratório de Química Forense e no laboratório do Instituto Nacional de Criminalística (INC) confirmaram a ausência da droga nas amostras.
Em um segundo conjunto de testes, realizados no local da apreensão, os peritos também não encontraram cocaína nas amostras de serragem coletadas. As informações foram apresentadas pelo perito Matheus de Andrade Carvalho Souza, que destacou que todos os testes preliminares resultaram negativos para a presença da substância.
Apesar das análises que não apontaram irregularidades, a Receita Federal manteve a carga retida, aguardando a conclusão dos laudos pendentes do INC. O órgão federal ressalta que a apuração ainda está em andamento e, caso não sejam encontradas mais irregularidades, a liberação dos caminhões e suas cargas será considerada. A PF, por sua vez, determinou a continuidade das diligências para o esclarecimento completo dos fatos, com ciência do Ministério Público Federal e da Receita Federal. Portanto, a carga permanece sob custódia até que todas as investigações sejam finalizadas.





