Polícia investiga morte de criança em Campo Grande com suspeitas de violência familiar

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul está investigando a morte de Kalebe Josué da Silva, uma criança de 1 ano e 8 meses, ocorrida na Vila Santa Luzia, em Campo Grande. O padrasto e a mãe da criança são os principais suspeitos, um cenário que remete ao caso de Sophia de Jesus Ocampo, que chocou a cidade há mais de três anos e resultou na condenação dos responsáveis a penas somadas de 52 anos.

Na manhã de terça-feira, a Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA) foi acionada após uma motorista de aplicativo, Sirlei Aparecida Costa Viegas, de 60 anos, informar que uma mãe estava desesperada, afirmando que seu filho estava morto em sua residência. Taynara Fernanda da Silva Campos, de 31 anos, relatou à motorista que seu marido havia ligado informando que Kalebe não conseguia respirar, o que gerou a urgência na busca por socorro.

Ao chegarem ao local, os policiais encontraram Mikael Alexandre Souza de Campos, de 21 anos, segurando a criança pelos braços. Os agentes iniciaram manobras de reanimação cardiopulmonar até a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Após os paramédicos assumirem a massagem cardíaca, Kalebe foi reanimado e imediatamente encaminhado para a Santa Casa de Campo Grande para tratamento médico.

Durante o trajeto, um dos profissionais de saúde observou a presença de diversos hematomas no corpo do menino e indícios de possível abuso sexual na região íntima. Diante desses achados, os policiais ouviram os relatos da mãe e do padrasto. Taynara afirmou que saiu de casa por volta das 6h e deixou Kalebe sob os cuidados de Mikael, que, por sua vez, alegou que, ao pegar a criança para dar banho, percebeu que ela estava sem movimentos às 6h40min.

Mikael e Taynara tentaram justificar os ferimentos, alegando que eram resultado de quedas. O pai biológico, Jean Carlos Ocampo da Rosa, e o pai afetivo, Igor de Andrade Silva Trindade, haviam tentado anteriormente alertar as autoridades sobre a situação da criança, buscando a intervenção do Conselho Tutelar e registrando boletins de ocorrência na DEPCA. No entanto, as medidas apropriadas não foram tomadas pelos órgãos competentes para garantir a proteção de Kalebe.

O caso de Sophia, que resultou em condenações em dezembro de 2024, é um marco na história recente da cidade. Stephanie de Jesus, mãe de Sophia, foi condenada a 20 anos de prisão por homicídio qualificado por omissão, enquanto Christian Campoçano Leitheim, o padrasto, recebeu uma pena total de 33 anos, incluindo 20 anos por homicídio qualificado e 12 anos por estupro.

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