A construção da Ponte da Rota Bioceânica, que ligará o Brasil ao Paraguai, está prestes a ser finalizada. A expectativa é que, na próxima quarta-feira (15), ocorra o encontro das aduelas, etapa crucial que simboliza a união das duas extremidades da estrutura sobre o Rio Paraguai. Com 1.294 metros de comprimento, a ponte será um ativo logístico fundamental para o Corredor Bioceânico, que conecta a Rodovia PY15 à malha rodoviária regional.
Essa nova ligação não apenas unirá as cidades de Porto Murtinho, No Brasil, e Carmelo Peralta, no Paraguai, mas também fará parte de um projeto logístico mais amplo, que integra Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. O objetivo é facilitar o acesso da produção sul-americana aos portos do norte do Chile, no Oceano Pacífico, promovendo a redução dos custos de transporte e aumentando a competitividade das exportações para os mercados asiáticos.
Embora o encontro das aduelas marque a conclusão física da ponte, a liberação para tráfego ainda dependerá da finalização de outros trabalhos. Após a junção das extremidades, será iniciada a fase final da obra, que inclui a construção de calçadas, pistas, iluminação e sinalização. A previsão é que essa etapa seja concluída em agosto e que o acesso ao lado paraguaio da ponte esteja totalmente pronto até o final de novembro.
Simultaneamente, as obras nos viadutos que integrarão as cabeceiras da ponte estão sendo realizadas em ambos os lados da fronteira. No Brasil, a construção da alça de acesso, que possui um orçamento em torno de R$ 574 milhões, está em andamento e contempla um trecho de 13,1 quilômetros de rodovia, ligando a BR-267 à ponte. No entanto, a liberação das alças de acesso ao público só deve ocorrer até 2028.
A ponte, considerada uma peça central da Rota Bioceânica, será elevada a 35 metros acima da calha do rio, permitindo a navegação segura. A estrutura contará com um trecho estaiado e uma extensão de 1,3 quilômetro, com 21 metros de largura. O investimento também inclui cerca de US$ 200 milhões para a construção entre Centinela e Mariscal, sendo a execução da obra de responsabilidade do Consórcio Pybra, que reúne as empresas Tecnoedil, Paulitec e Cidades Ltda, sob a coordenação do engenheiro paraguaio Renê Gómez.
A Rota Bioceânica, que se inicia em Porto Murtinho, no sudoeste de Mato Grosso do Sul, percorrerá o Paraguai e a Argentina até alcançar os portos chilenos. Essa via facilitará as exportações brasileiras para a Ásia, reduzindo em até 17 dias o tempo de transporte em comparação com a rota tradicional pelo Porto de Santos. O projeto, discutido desde 2014 e iniciado em 2017, tem a promessa de expandir as relações comerciais do Estado com países da América do Sul e da Ásia, com potencial para movimentar US$ 1,5 bilhão anuais em exportações de produtos como carnes, açúcar, farelo de soja e couros.





