O interventor-geral Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira alertou que o transporte público de Campo Grande enfrenta sérios riscos de colapso, afirmando que, sem a intervenção instaurada, o serviço poderia parar "mais cedo ou mais tarde". A situação financeira do CONSÓRCIO Guaicurus, que detém a concessão, e as condições de segurança dos ônibus estão comprometidas, levando a uma possível paralisação total do serviço.
Durante a apresentação do primeiro relatório de acompanhamento interno aos vereadores, foi destacado que, ao final dos cinco meses de intervenção, a possibilidade de rompimento do contrato com o CONSÓRCIO Guaicurus não está descartada. O processo de intervenção foi iniciado em 16 de junho, e a auditoria revelou que uma das empresas do CONSÓRCIO possui dívidas de R$ 20 milhões com instituições financeiras e fornecedores, incluindo fornecedores de combustíveis.
O relatório também identificou uma defasagem operacional significativa, além da falta de manutenção preventiva dos ônibus, que estão recebendo apenas manutenção corretiva. A gestão operacional do sistema é considerada obsoleta, resultando em problemas de economicidade e fluxo dentro da empresa.
Em entrevista, Alexandro de Oliveira não confirmou a recomendação de encerrar o contrato, mas observou que, historicamente, a maioria das intervenções termina com a caducidade da concessão. Ele ressaltou que, estatisticamente, a situação do CONSÓRCIO Guaicurus não é favorável para a continuidade do contrato. "Quando se chega nesse ponto, a intervenção geralmente resulta no encerramento do contrato, seja por caducidade ou outras formas", afirmou.
Em resposta ao relatório, o CONSÓRCIO Guaicurus defendeu a necessidade de uma reestruturação econômico-financeira do contrato. A empresa argumenta que, apesar das dificuldades, o serviço de transporte continua a operar, mantendo as condições de segurança dos veículos. O CONSÓRCIO também destacou que revisões econômicas deveriam ter ocorrido em 2019 e 2026, mas não foram realizadas, o que comprometeu a estrutura financeira da concessão.
A empresa ainda apontou que a prefeitura não cumpriu sua obrigação de construir 58 quilômetros de corredores e quatro terminais, conforme estipulado no edital de licitação do transporte coletivo. Essa falta de infraestrutura, segundo o CONSÓRCIO, degrada a qualidade do serviço prestado, afasta os usuários e aumenta os custos operacionais da concessionária.






