O cultivo florestal de Mato Grosso do Sul está concentrado na Costa Leste do estado, entre Campo Grande e a divisa com São Paulo. Segundo o último Boletim Casa Rural da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), nessa região, o eucalipto ocupa mais de 1,89 milhão de hectares distribuídos em 74 municípios, sendo a maior área localizada em Ribas do Rio Pardo (26,8%), seguida por Três Lagoas (19,2%) e Água Clara (10,5%).

Já o cultivo de seringueira soma mais de 25,2 mil hectares em 28 municípios, localizados principalmente no Nordeste do estado. Cassilândia lidera com 25,9% da área plantada, seguida por Aparecida do Taboado (13,5%) e Inocência (8,8%).
Em entrevista do Podcast Agro de Primeira, Junior Ramires, presidente da Reflore/MS, avalia que cultivo de eucalipto vai crescer mais nos próximos anos, fortalecento o setor florestal de Mato Grosso do Sul. Confira as estimativas apontadas na entrevista.
Comércio florestal
Entre janeiro e novembro de 2025, os produtos do setor florestal registraram receita 19% acima do acumulado de 2024. O setor manteve a liderança entre os produtos mais exportados pelo estado, respondeu por 31% das exportações do agronegócio e acumulou US$ 2,85 bilhões em negócios.
A celulose segue como o principal item exportado, com 99,65% da receita acumulada. Na sequência aparecem papel (0,25%) e madeira (0,11%). No período, as exportações do capital florestal somaram US$ 2,858 bilhões.

A China foi o principal destino dos produtos florestais, responsável por 55,3% da receita e pela compra de mais de 3,47 milhões de toneladas. Itália (10,5%) e Países Baixos (5,2%) completam a lista dos maiores importadores.
Ao todo, Mato Grosso do Sul exportou para 44 países, com receita total de US$ 2,858 bilhões e volume de 6,3 milhões de toneladas.
Especialista em comércio exterior, Aldo Barrigosse, prevê que o acordo Mercosul-União Europeia vai beneficiar ainda mais o setor de celulose.
Cotação de eucalipto
A demanda da indústria de celulose sustenta a valorização da madeira no estado, tendência reforçada pela construção de uma nova fábrica em Bataguassu (MS). O preço médio do eucalipto clonal (árvore geneticamente selecionada – maior produtividade) vendido como “árvore em pé com casca” no fechou novembro de 2025 em R$ 179,46/m³.
Já o eucalipto citriodora (espécie aromática – alta durabilidade), usada principalmente na produção de madeira tratada, registrou alta de 5,85% no mesmo período, chegando a R$ 124,38 por metro estéreo. A menor oferta relatada por fornecedores contribui para a elevação dos preços.
Aumenta procura por arrendamento de terra para eucalipto
Cotação de seringueira
O preço do coágulo de seringueira caiu 7% em dezembro de 2025, e ficou cotado em R$ 4,03/kg no DRC 53% (teor de borracha seca – pureza do produto). As usinas operam com estoques elevados e enfrentam baixa procura da indústria de pneus, impactada pelo aumento das importações.

Na Bolsa de Singapura, o TSR20 (borracha natural industrial – referência global) manteve estabilidade no período.
Em novembro, o preço de referência da borracha natural importada recuou 1,1% em relação a outubro. As cotações internacionais caíram 0,6%. Diante disso, o frete marítimo subiu 2,7%, enquanto o frete interno permaneceu estável, desta maneiro o preço final de importação ficou em R$ 12,43/kg.



