As raízes das plantas liberam açúcares, aminoácidos e ácidos orgânicos que atraem microrganismos do solo e influenciam sua colonização. A explicação é do professor Leandro Simões Azevedo Gonçalves, da Universidade Estadual de Londrina.
Essas substâncias, chamadas exsudatos radiculares, orientam os microrganismos por gradientes químicos, processo conhecido como quimiotaxia. A colonização depende de mecanismos de adesão, uso de nutrientes e formação de biofilmes, enquanto barreiras vegetais limitam a entrada e a proliferação dos microrganismos.
Em Arabidopsis thaliana, a presença de Pseudomonas simiae e Trichoderma asperellum altera a liberação de cumarinas. Uma delas, a escopoletina, inibe fungos patogênicos sem prejudicar bactérias benéficas, o que favorece o estabelecimento dessas bactérias nas raízes.
Em tomateiros tratados com Beauveria bassiana, o fungo foi encontrado em maior quantidade nas folhas infectadas por Botrytis cinerea e em menor proporção no solo próximo às raízes. O resultado sugere migração do fungo para os tecidos atacados, embora a proteção também possa estar relacionada a sinais de defesa transmitidos pela planta.
Outro exemplo é o Bacillus velezensis. Em Arabidopsis, sua presença nas raízes desencadeia respostas imunes e a produção de espécies reativas de oxigênio. A bactéria reage produzindo auxina, que reduz esse estresse e favorece a adesão. A auxina também estimula receptores imunes na planta, em um ciclo que contribui para a proteção contra Rhizoctonia solani. Nas folhas e flores, a colonização exige tolerância à radiação ultravioleta, à pouca água e à escassez de nutrientes, além da formação de biofilmes.






