Rio Paraguai à Beira do Colapso: Seca Ameaça Navegação e Economia

A vital hidrovia Paraguai-Paraná, espinha dorsal do transporte no Pantanal e crucial para o escoamento de minério de ferro, enfrenta uma crise iminente. A severa estiagem, que se agrava a cada dia, está reduzindo drasticamente o nível do rio, comprometendo a capacidade de navegação comercial. A paralisação das atividades, antes impensável, pode ocorrer em breve, impactando severamente a economia regional e nacional.

A situação foi tema de calorosos debates durante o evento Infraestrutura em Movimento: Desafios para Transformar o Brasil, onde se discutiu o risco iminente de redução ou interrupção do tráfego na hidrovia, bem como o arrastado processo de concessão.

Atualmente, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), com o apoio da Marinha do Brasil, é responsável pela manutenção da hidrovia. No entanto, a lentidão na resposta do governo federal às necessidades do setor tem gerado críticas contundentes.

Um pacto por investimentos em infraestrutura foi assinado nesta quarta-feira, buscando garantir a atenção governamental à aprovação de marcos regulatórios, licenciamento ambiental, fortalecimento das agências reguladoras e proteção das infraestruturas. O documento, assinado por diversas associações do setor, será encaminhado ao governo federal.

O CEO da Hidrovias do Brasil, Décio Amaral, alertou para os prejuízos logísticos causados pela falta de infraestrutura adequada no Rio Paraguai. Ele enfatizou que a movimentação de cargas pode ser interrompida se o nível do rio continuar a baixar. “Estamos com risco, de novo, de interromper as operações no Paraguai”, afirmou Amaral. Ele explicou que a redução do calado impacta diretamente a capacidade de carga das embarcações, gerando prejuízos significativos.

Apesar da iminência da crise, operadores portuários em Corumbá, Ladário e Porto Murtinho mantêm os carregamentos, com embarques programados. No entanto, ainda não há agendamentos para os meses de novembro e dezembro, sinalizando a apreensão do setor.

Segundo a Marinha do Brasil, o nível do Rio Paraguai permite o carregamento de cargas com calado de até 7 pés em certos trechos. Contudo, essa orientação varia conforme a região. Em Ladário, o nível do rio está em 0,86 centímetro, enquanto em Porto Esperança está em -0,42 cm.

Enquanto isso, a privatização da hidrovia Paraguai-Paraná, prevista para este ano, foi adiada para o segundo semestre de 2026. O Tribunal de Contas da União (TCU) analisa o processo, que envolve a concessão para a iniciativa privada em troca de pedágio e obras de dragagem, sinalização e gestão ambiental em um trecho de 600 km.

A Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) reconhece a possibilidade de interrupções na navegação devido à estiagem. A concessão visa reduzir essas paralisações para um período máximo de oito dias por ano. O volume de carga transportada pela hidrovia varia conforme o ciclo de estiagem. Em 2022 e 2024, foram transportados cerca de 3 milhões de toneladas de minério, enquanto em 2023, com um nível melhor do rio, esse volume saltou para 8 milhões de toneladas. A expectativa para este ano é de 9 milhões de toneladas, com potencial para alcançar 25 milhões se o nível do rio for mantido.

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