Saúde em Crise: Promotora Denuncia Desrespeito e Caos em Campo Grande

A Saúde pública de Campo Grande enfrenta um momento crítico, marcado pela falta de leitos hospitalares, escassez de medicamentos e superlotação das unidades de atendimento. Às vésperas de completar 45 dias sem uma liderança definitiva na Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), a situação é classificada como “total desrespeito ao cidadão”.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) tem intensificado as investigações sobre as falhas e negligências no setor, com diversos procedimentos e inquéritos em andamento. Um terço do orçamento municipal é destinado à saúde, com cerca de R$ 2,1 bilhões alocados este ano e uma previsão de R$ 2,25 bilhões para 2026, de um total de R$ 6,87 bilhões e R$ 6,97 bilhões, respectivamente.

Desde a saída da antiga secretária, a Sesau é gerida por um Comitê Gestor, composto por seis membros. Apesar dos problemas evidentes, nenhuma proposta ou plano para solucionar a crise foi apresentado pelo grupo até o momento.

“O que se verifica hoje é o total desrespeito aos direitos básicos do cidadão, especialmente à saúde”, afirma uma promotora de Justiça responsável pelas investigações. A promotora ressalta a urgência de uma gestão eficiente e técnica na Secretaria, bem como a implementação de um sistema de controle de estoque de medicamentos, atualmente realizado de forma manual.

Entre os problemas mais graves, destacam-se os corredores da Santa Casa cheios de macas, as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) superlotadas, a falta de medicamentos básicos nas farmácias das Unidades de Saúde e Centros de Atenção Psicossocial (CAPs), além das longas filas de espera por exames de imagem, consultas especializadas e cirurgias. Há também registros de liminares e decisões judiciais descumpridas.

As investigações do MPMS apontam para a falta de recursos municipais e o não pagamento de fornecedores como um dos motivos para as constantes crises na saúde. A promotora destaca que a superlotação das UPAs é agravada pela falta de leitos, tanto gerais quanto pediátricos e de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), evidenciando a necessidade de maior investimento nessa área.

A gestão municipal informou que planeja construir um hospital municipal, mas o projeto ainda não foi concretizado. Enquanto isso, uma ação civil pública foi proposta para implementar novos leitos pediátricos e de UTIs pediátricas, dada a insuficiência desses leitos para atender às síndromes respiratórias graves em crianças. Até o momento, nenhum leito foi implementado, apesar de o MPMS ter obtido liminar favorável na ação. Há ainda um projeto de construção do novo prédio do Hospital Regional.

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