Suspensão de ação penal de Claudinho Serra é confirmada pela Justiça de Mato Grosso do Sul

A Justiça de Mato Grosso do Sul decidiu suspender a ação penal envolvendo o ex-vereador Claudinho Serra, do PSDB, em decorrência de uma liminar concedida pelo desembargador José Ale Ahmad Netto. Ele argumentou que a Vara Criminal de Sidrolândia ultrapassou sua competência ao conduzir a investigação, que faz parte da terceira fase da Operação Tromper. Com essa decisão, a audiência de instrução que estava marcada para o dia 21 de julho foi cancelada, e o processo permanecerá suspenso até que o habeas corpus apresentado pela defesa seja julgado definitivamente.

A liminar não anula o processo nem invalida as provas já coletadas. O ponto central da discussão gira em torno de quem deveria ter autorizado as ações, como buscas e prisões, realizadas durante a investigação. A defesa de Claudinho argumenta que, como o Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) esteve diretamente envolvido na apuração, as solicitações deveriam ter sido analisadas por varas criminais especializadas em Campo Grande, e não pela Vara Criminal de Sidrolândia.

Na decisão obtida pelo Campo Grande News, o desembargador justificou sua posição ao afirmar que os documentos apresentados demonstram a participação efetiva do Gecoc na elaboração das representações cautelares e relatórios que fundamentaram a terceira fase da Operação Tromper. Isso, segundo ele, evidencia que a Vara Criminal de Sidrolândia não tinha a competência necessária para conduzir o caso.

Após a concessão da liminar, o juiz Bruce Henrique dos Santos Bueno Silva, responsável pela Vara Criminal de Sidrolândia, se manifestou ao Tribunal, defendendo que o processo deve continuar em sua comarca. Ele ressaltou que a investigação foi iniciada pela 3ª Promotoria de Justiça de Sidrolândia, e que o Gecoc apenas ofereceu apoio técnico na apuração.

As investigações contra Claudinho Serra começaram na terceira fase da Operação Tromper, deflagrada em abril de 2024. Naquele período, ele exercia a função de vereador em Campo Grande e já havia sido secretário municipal na gestão da então prefeita de Sidrolândia, Vanda Camilo, que é sua sogra. O Ministério Público o acusa de integrar uma organização criminosa que direciona licitações e favorece empresas em contratos públicos.

Claudinho nega todas as acusações e já chegou a ser preso por 23 dias em 2024, respondendo ao processo em liberdade até a quarta fase da Operação Tromper, que ocorreu em junho do ano passado. Na ocasião, ele foi novamente detido sob suspeita de estar envolvido em um esquema de ocultação de patrimônio relacionado às fraudes investigadas. Após 105 dias de prisão, a soltura de Claudinho foi determinada pelo Superior Tribunal de Justiça, que substituiu a prisão por medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica e recolhimento domiciliar noturno.

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