Uma investigação realizada pelo Gaeco, no âmbito da Operação Gutenberg, revelou diálogos que expõem um grave esquema de corrupção na Secretaria de Saúde. O coordenador de Regulação de Pacientes, Ed Carlos Burgatt, autorizou a transferência de um paciente grave de Ivinhema para um hospital em Nova Andradina apenas porque havia grandes chances de receber propina.
A conversa entre Burgatt e seu comparsa, o advogado Gabriel Taquino, especialista em licitações, demonstrou a frieza com que tratavam a situação do doente. O advogado estava articulando contratos fraudulentos da Editora Avante com prefeituras, buscando vantagens indevidas. No caso em análise, ambos tentavam fechar contratos com a prefeitura de Ivinhema, e Gabriel enviou a Ed um arquivo em PDF solicitando a regulação do paciente.
A data da solicitação foi uma sexta-feira, 6 de janeiro de 2023. Após receber o pedido, Ed Carlo, ciente da gravidade do estado de saúde do paciente, fez uma piada ao comentar que a vaga estaria garantida, desde que o prefeito aceitasse o contrato com a Editora Avante. Durante a conversa, Ed expressou preocupação com a situação do doente, exclamando: "Guri tá grave, hein".
Apesar das dúvidas sobre o fechamento do contrato, Ed Carlo decidiu agir rapidamente e garantiu que a transferência para o Hospital Regional de Nova Andradina ocorreria no dia seguinte, sábado. Ele já havia sido informado de que o paciente era parente do prefeito da época, o que teria influenciado sua decisão. Ed mencionou que a situação seria resolvida rapidamente, afirmando: "Amanhã cedo [sábado] já vai estar resolvido".
O esquema de corrupção envolvendo Ed Carlo, Gabriel Taquino e a também acusada Rossana Jafar resultou na prisão dos envolvidos pela operação do MPE-MS. As investigações continuam, e o espaço permanece aberto para que os acusados ou suas defesas se manifestem sobre os fatos apurados.






