A Justiça de Campo Grande determinou a realização de uma perícia para identificar a origem de extravasamentos que têm ocorrido em frente a um condomínio localizado na Avenida Presidente Ernesto Geisel, na interseção com a Avenida Rachid Neder. A região é conhecida por seus problemas de alagamento, especialmente durante o período chuvoso. O processo foi instaurado contra a concessionária Águas Guariroba S.A., que é a responsável pelos serviços de água e esgoto na cidade.
O foco da discussão é determinar se os problemas enfrentados pelos moradores são resultado de falhas na rede pública de esgoto, do lançamento irregular de água pluvial na tubulação ou da capacidade da infraestrutura existente. Na decisão publicada no Diário da Justiça nesta sexta-feira (26), o juiz rejeitou as preliminares apresentadas pela concessionária e estabeleceu os pontos que serão analisados na perícia, incluindo a existência de falhas na prestação do serviço de esgotamento sanitário e a adequação da rede para atender à demanda da localidade.
Os moradores da área relatam que enfrentam problemas recorrentes com esgoto a céu aberto há mais de um ano, situação que se agrava durante as chuvas e, conforme a petição inicial, também ocorre em dias sem precipitação. Eles destacam os transtornos causados, como mau cheiro, acúmulo de resíduos nas vias, riscos à saúde e impactos ambientais. A petição menciona ainda que, em períodos de chuvas intensas, o transbordamento de um córrego contribui para agravar os alagamentos, dificultando a passagem de veículos.
Os autores da ação informaram que notificaram a Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg) em fevereiro de 2024 e também apresentaram queixas à prefeitura. Na ação, é mencionado que equipes da Águas Guariroba realizaram limpezas na área, mas os problemas persistem, levando os moradores a solicitarem que a concessionária seja obrigada a realizar reparos definitivos para solucionar os vazamentos.
Por sua vez, a Águas Guariroba refuta qualquer falha nos serviços prestados. Em sua contestação, a empresa argumenta que a rede pública de esgoto opera regularmente e que os extravasamentos são consequência de ligações clandestinas de águas pluviais. A concessionária também enfatiza que, em 2025, retirou mais de 690 toneladas de resíduos sólidos da rede de esgoto e destaca a importância da conscientização da população para evitar práticas que comprometam o funcionamento do sistema.
O laudo da perícia será crucial para esclarecer se os transtornos enfrentados pelos moradores são causados por falhas no sistema de esgoto, por água de chuva lançada de forma inadequada na rede ou por fatores externos. A decisão sobre quem será responsabilizado pelos problemas só será tomada após a análise dos resultados da perícia. Até o momento, a gestão municipal não se manifestou sobre a questão.






