O secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, Victor Santos, defende uma nova abordagem no combate ao crime organizado nas favelas, priorizando a “retomada” em vez da simples “ocupação”. Segundo o secretário, a retomada exige integração entre município, estado e União, um conceito inclusive reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A declaração surge após uma operação nas comunidades do Complexo do Alemão e da Penha, que resultou em 121 mortes e reacendeu o debate sobre a segurança pública. Santos enfatiza que a política de segurança do Rio mudou o foco, mirando agora a estrutura financeira das organizações criminosas.
O secretário destaca que 22% da população do Rio vive em favelas, número superior à média nacional de 8,1%, o que torna uma estratégia baseada apenas em força policial inviável. Ele defende que o Estado deve ouvir as necessidades específicas de cada favela, com a regularização fundiária sendo um primeiro passo crucial.
Santos também apontou a necessidade de atualização das leis brasileiras para acompanhar a evolução das organizações criminosas e garantir punições mais efetivas. “Não podemos dizer que algo é crime sem lei”, afirmou, criticando a falta de abrangência da legislação antiterrorismo para lidar com as milícias.
O secretário citou o controle de serviços como internet, transporte e gás como fontes de receita para o crime organizado nas favelas. Segundo ele, esses negócios ilícitos podem gerar milhões de reais mensalmente, tornando-se mais lucrativos e menos arriscados do que o tráfico de drogas. A recente operação buscou coletar dados digitais e financeiros para desarticular essas estruturas.
Santos também criticou a relação entre o poder público e o jogo do bicho, exemplificando com a presença de autoridades e figuras ligadas ao jogo em eventos como o carnaval, e lamentou homenagens a criminosos por escolas de samba.






