Belém, no Pará, foi palco de uma grande manifestação no último sábado, reunindo aproximadamente 70 mil pessoas em defesa do clima e da justiça ambiental. A Marcha Global pelo Clima, um dos maiores eventos paralelos à COP30, teve como lema “Da Amazônia para o Mundo: Fim da Desigualdade e Racismo Ambiental, Justiça Climática”.
Realizado em frente ao Mercado São Brás, o ato abordou temas cruciais como a segurança na região amazônica, os direitos dos povos originários e tradicionais, e a privatização dos rios. Indígenas do baixo Tapajós, por exemplo, protestaram contra a criação de hidrovias no rio Tapajós, exigindo a revogação de decretos federais que, segundo eles, favorecem a privatização de recursos hídricos na região.
A manifestação contou com a participação de representantes de movimentos sociais da África, Ásia e Venezuela, evidenciando a dimensão global da luta por justiça climática. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, também esteve presente, ressaltando a importância de levar as discussões sobre mudanças climáticas para as ruas e praças, além dos espaços diplomáticos.
Durante o evento, representantes indígenas lançaram um documento que será entregue ao governo brasileiro, alertando para as ameaças representadas por grandes obras de infraestrutura, como a Ferrogrão e novas hidrovias, que colocam em risco a integridade ambiental e os direitos territoriais dos povos indígenas.
Enquanto isso, as negociações na COP30 seguem em ritmo lento, com uma sessão extraordinária convocada para tentar acelerar o progresso. Não há, até o momento, uma previsão de conclusão dos debates, com a expectativa de que os acordos sejam firmados até o final da próxima semana. Os manifestantes continuam a pressionar por resultados concretos, na esperança de que a conferência impulsione ações efetivas contra o desmatamento e a exploração predatória dos recursos naturais da Amazônia, além de estabelecer compromissos que promovam justiça social e climática para as populações mais vulneráveis.





