Com 44 anos de atuação no comércio do Centro de Cuiabá, o lojista Roberto Peron faz um diagnóstico direto sobre os desafios enfrentados diariamente por quem mantém as portas abertas na região. Para ele, a falta de políticas públicas integradas tem agravado problemas sociais, urbanísticos e econômicos, afastando consumidores e dificultando a retomada do movimento.
Segundo Peron, a presença policial ajuda a reduzir a sensação de insegurança, mas não resolve sozinha os problemas estruturais do Centro. “A polícia prende, o Judiciário solta. Falta uma política pública que enfrente de fato a situação do Centro da cidade”, afirmou.
O comerciante destaca que a concentração de pessoas em situação de rua e usuários de drogas exige uma resposta que vá além da segurança pública. Para ele, é necessário investimento em assistência social, saúde mental e políticas de acolhimento.

“São pessoas que precisam de ajuda do Estado e da prefeitura. Muitas tiveram problemas familiares ou mentais. Isso só se resolve com amparo e políticas públicas”, disse.
Peron reforça que ignorar essa realidade não traz solução e apenas transfere o problema ao comércio e à população que circula pela região.
Além da questão social, Roberto Peron critica o que chama de abandono da infraestrutura urbana no Centro, especialmente em períodos de grande circulação, como o Natal. Segundo ele, a ausência de decoração e de ações de revitalização desestimula a ida dos consumidores.
“A prefeitura acha que é obrigação do comerciante enfeitar e limpar a cidade. Não é. Nós pagamos impostos para isso e eu acho que esses impostos deveriam ao menos voltar para nós como uma forma de motivar as pessoas virem para o centro da cidade, colocar a iluminação pública, cuidar das praças, cuidar das ruas, manter limpo, fazer com que as pessoas venham para o centro, mas é difícil.”, pontuou.
O lojista cita a falta de iluminação adequada, manutenção precária de praças e calçadões e problemas recorrentes de limpeza pública como fatores que impactam diretamente o comércio.
Peron também lembra que o comércio do Centro é um dos principais motores de geração de empregos, especialmente no fim do ano. Segundo ele, muitas lojas dobram o número de funcionários no período natalino. “O comércio dá o primeiro emprego, treina, ensina. É onde muita gente começa a trabalhar quando não tem outra opção”, afirmou.
Para o comerciante, valorizar o Centro passa também por reconhecer a importância econômica e social do comércio local.
Por fim, Peron defende que a revitalização do Centro deve envolver segurança, políticas sociais e cuidados urbanos, criando um ambiente que incentive as pessoas a circular, consumir e permanecer na região.
“As pessoas precisam se sentir bem, seguras e acolhidas para voltar ao Centro. Sem isso, fica cada vez mais difícil manter o comércio vivo”, concluiu.





