Álbum une tradições indígenas e música eletrônica em lançamento global

O lançamento do álbum "Shamans in Space" ocorreu no último sábado, marcando um diálogo significativo entre os povos guarani e kaiowá, de Mato Grosso do Sul, e artistas da música eletrônica global. Este projeto, que será distribuído em aproximadamente 5 mil lojas ao redor do mundo, propõe uma experiência que vai além da simples música, aproximando-se de uma essência espiritual e política. A estreia nas plataformas digitais está programada para o dia 1º de maio, trazendo à tona um conhecimento ancestral que, para essas comunidades, é mais do que som; trata-se de uma reza e uma forma de existência.

Para os guarani e kaiowá, o som vai além do entretenimento, apresentando um profundo significado ligado ao conceito de Mba’ekuaa, um saber que articula dimensões espirituais e comunitárias. Nesse contexto, cantar é um ato que visa cuidar do equilíbrio entre diferentes mundos, preservar memórias e manter vivas as relações entre os seres humanos, a natureza e o invisível. A concepção de "Shamans in Space" se baseia na ideia de um encontro orientado pela escuta e pelo respeito, não se limitando a uma fusão de gêneros musicais.

O projeto representa uma ruptura com as dinâmicas da indústria cultural convencional, onde frequentemente os saberes indígenas são apropriados sem o devido reconhecimento. Lideranças espirituais guarani e kaiowá, como Nhandesy Roseli, Nhandesy Fausta e Nhanderu Tadeu, desempenham um papel central na criação do álbum, não apenas participando, mas também dirigindo o projeto. São essas lideranças que determinam o que pode ser compartilhado e garantem que os CANTOS sagrados, fundamentais para a cosmologia INDÍGENA, sejam preservados em sua essência.

Fabi Fernandes, pesquisadora e coordenadora do projeto, destaca a importância da tecnologia própria dos povos indígenas, que se manifesta através do som e da reza. Ela ressalta que, assim como a tecnologia convencional, as práticas dos guarani e kaiowá oferecem formas distintas de produzir conhecimento e de se relacionar com o mundo.

Em um cenário global marcado por crises ambientais e culturais, "Shamans in Space" sugere uma nova forma de escutar, em que arte e vida, som e espírito, passado e FUTURO se entrelaçam. O álbum, que mescla beats eletrônicos, maracás, sintetizadores e takuapus, proporciona uma experiência sensorial ao ouvinte, convidando-o a sentir a música de maneira mais intensa. Cada faixa carrega uma cosmologia própria e uma relação única com o invisível, promovendo uma conexão mais profunda.

Kelvin Mbaretê, uma das vozes do projeto, expressa o desejo de que ao ouvir o álbum, as pessoas sintam algo especial em seus corações. Para ele, essa obra transcende a música, representando a história, a espiritualidade e a resistência viva dos povos guarani e kaiowá.

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