A concessionária Rumo Malha Oeste S.A., responsável pela gestão de uma ferrovia extensa que se estende por quase dois mil quilômetros, está sendo investigada pelo Ministério Público Federal (MPF) em razão de sua possível responsabilidade por um incêndio de grandes proporções no Pantanal. O incidente ocorreu em agosto de 2024 e resultou na destruição de 17.817 hectares de vegetação nativa em uma área de proteção ambiental em Porto Esperança, Corumbá. A investigação é baseada em apurações realizadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
O incêndio teve origem durante atividades de manutenção na linha férrea, que foram executadas pela Trill Construtora Ltda, uma empresa terceirizada especializada em infraestrutura ferroviária. A investigação revelou indícios de que as faíscas geradas por um equipamento de corte metálico, o policorte, foram responsáveis pelo início do fogo. Além disso, a ausência de medidas preventivas adequadas, como a manutenção de aceiros e a remoção de material combustível ao longo da ferrovia, foram destacados como fatores que contribuíram para a gravidade do sinistro.
Diante da extensão dos danos ambientais e das impactantes consequências, que afetaram diversas propriedades rurais e demandaram longas operações de combate ao incêndio, o MPF decidiu instaurar um inquérito civil. A Rumo Malha Oeste S.A. detém a concessão da ferrovia há quase 30 anos, com o contrato previsto para vencer em 1º de julho deste ano. Em função disso, está em andamento um processo de relicitação em parceria com o Ministério dos Transportes e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Nos últimos três anos, a Rumo Malha Oeste foi autuada 74 vezes por falhas na manutenção da faixa de domínio e por abandono de prédios. Essa situação culminou na decisão do governo de optar pela relicitação integral do contrato, o que foi revelado em uma reportagem anterior. A degradação das vias permanentes compromete o potencial logístico do estado de Mato Grosso do Sul, tornando o escoamento de minérios e grãos dependente de transporte rodoviário, que é mais oneroso e poluente.
Relatórios emitidos pela ANTT indicam que a falta de manutenção não só compromete a integridade física dos bens públicos, mas também representa um risco à segurança operacional e às comunidades que vivem nas proximidades, especialmente nas áreas urbanas de Campo Grande, Três Lagoas e Corumbá.
A Rumo Malha Oeste passou por diversas mudanças de nome ao longo dos anos. Originalmente chamada de Ferrovia Novoeste S.A. entre 1996 e 2007, a empresa teve seu nome alterado para América Latina Logística Malha Oeste S.A. (ALL) em 2008, após aprovação de alteração no Estatuto Social pela ANTT. Desde 2015, após fusão com a Rumo Logística, a empresa é conhecida como Rumo Malha Oeste S.A.






