Operação ‘Buraco sem Fim’ resulta em prisões de servidores e empresários em Campo Grande

A Operação 'Buraco Sem Fim', realizada nesta terça-feira (12) pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), resultou na prisão de cinco servidores da Prefeitura de Campo Grande, além de empresários, todos acusados de participar de um esquema de fraudes em contratos relacionados ao serviço de tapa-buraco na cidade. Os detidos foram encaminhados à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) do Cepol (Centro Especializado de Polícia Integrada) e passarão por audiência de custódia a partir das 8h30 desta quarta-feira (13). Durante essa audiência, a Justiça avaliará a necessidade da manutenção das prisões preventivas, que são por tempo indeterminado.

Entre os presos estão nomes já conhecidos em investigações anteriores conduzidas pelo Gecoc. Dentre eles, destacam-se Mehdi Talayeh, engenheiro da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep); Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula, servidor da mesma pasta; e Rudi Fiorese, que foi secretário municipal de Infraestrutura entre 2017 e 2023. Também foi detido Edivaldo Aquino Pereira, coordenador do serviço de tapa-buraco da Prefeitura de Campo Grande. Vale ressaltar que Edivaldo já havia sido alvo da Operação Cascalhos de Areia, deflagrada em 2023, que investigou irregularidades em contratos de manutenção de ruas sem asfalto.

As Equipes do Gecoc realizaram buscas na residência de Edivaldo, localizada no Bairro Tiradentes, onde o filho dele foi detido após a localização de drogas no imóvel. Em relação a Mehdi Talayeh, sua prisão preventiva foi decretada pelo Núcleo de Garantias no dia 29 de abril, dentro de um procedimento sigiloso que já resultou em 10 mandados de busca e apreensão, sendo sete deles cumpridos nas casas dos investigados e na sede da Sisep, situada no Jardim Monumento.

A investigação, conduzida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul, aponta para a existência de uma organização criminosa dedicada a fraudes sistemáticas na execução dos serviços de manutenção de vias públicas. As suspeitas incluem manipulação de medições, pagamentos por serviços não realizados e desvio de recursos públicos. Durante a operação, os investigadores apreenderam R$ 429 mil em dinheiro vivo.

O levantamento realizado pelo Gecoc indica que, entre 2018 e 2025, a empresa sob investigação acumulou contratos e aditivos que totalizam R$ 113,7 milhões com a administração pública. Mandados também foram cumpridos nas dependências da Sisep. As defesas de Rudi Fiorese, dos empresários, do engenheiro e dos investigados Erick e Fernando informaram que ainda não tiveram acesso integral aos autos e, por isso, não se manifestarão neste momento. A Prefeitura de Campo Grande foi contatada, mas não se pronunciou até a publicação desta matéria.

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