Operação Buraco sem Fim desmantela esquema de corrupção em Campo Grande

O Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), vinculado ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), revelou um esquema de corrupção que movimentava milhões na Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) de Campo Grande. A investigação, que resultou na prisão de dois servidores da prefeitura e um ex-titular da Sisep, foi iniciada por meio da Operação Buraco Sem Fim, que cumpriu 7 mandados de prisão preventiva e 10 de busca e apreensão na Capital.

As apurações evidenciam a atuação de uma organização criminosa que manipulava medições e realizava pagamentos indevidos, comprometendo a manutenção das vias públicas no Município de Campo Grande. O MPMS afirma que essa máfia fraudava sistematicamente os serviços contratados, gerando um desvio significativo de dinheiro público.

Entre os detidos está Rudi Fiorese, que atuou como secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos de 2017 até 2023 e ocupava a função de diretor-presidente da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul (Agesul) até sua exoneração, que ocorreu poucas horas após a operação ser divulgada. Durante as buscas, foram encontrados valores expressivos em espécie, totalizando pelo menos R$ 429 mil. Um dos imóveis vistoriados continha R$ 186 mil, enquanto outro abrigava R$ 233 mil, que se presume pertencer a Fiorese.

A investigação também revelou que entre 2018 e 2025, a empresa alvo das apurações acumulou contratos e aditivos que somam R$ 113.702.491,02. A Construtora Rial, que possui contratos ativos com a Prefeitura de Campo Grande, é identificada como a principal envolvida. O portal da Transparência do município indicou um superfaturamento nos contratos de tapa-buracos firmados entre 2010 e 2015, estimado em R$ 6,6 milhões.

Em novembro do ano anterior, um grupo que incluía o ex-prefeito Nelson Trad, empresários e ex-secretários foi condenado por práticas criminosas, resultando em penalidades severas, como a suspensão dos direitos políticos por até 14 anos, multas que podem chegar a R$ 1,5 milhão, e a proibição de contratar com o poder público.

A Operação Buraco Sem Fim tem semelhanças com a Operação Cascalhos de Areia, que foi deflagrada em junho de 2023. Essa operação também investigou uma organização criminosa por crimes de peculato, corrupção, fraude à licitação e lavagem de dinheiro em contratos de manutenção de vias não pavimentadas, que ultrapassavam R$ 300 milhões. Excetuando Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa e Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, todos os detidos na recente operação já haviam sido alvos da investigação anterior.

Compartilhe :

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest