O Brasil figura entre os maiores produtores de alimentos globalmente e, ao mesmo tempo, ocupa a 10ª posição no ranking de países que mais desperdiçam comida, conforme dados da Organização das Nações Unidas (ONU). O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que 30% dos alimentos gerados no país são descartados, totalizando aproximadamente 46 milhões de toneladas anualmente. Essa realidade se torna ainda mais preocupante em um contexto em que milhões de brasileiros enfrentam a insegurança alimentar, com 8,7 milhões de pessoas em situação grave em 2023.
O contraste entre a produção abundante de alimentos e o acesso desigual à alimentação evidencia a necessidade urgente de ações para reduzir o desperdício, tanto por questões sociais quanto ambientais. Nesse sentido, a publicação da Lei nº 15.224, em outubro de 2025, representa um passo significativo na busca por soluções. A norma estabelece a Política Nacional de Combate à Perda e ao Desperdício de Alimentos (PNCPDA), com o objetivo de implementar mecanismos que reduzam as perdas ao longo de toda a cadeia produtiva.
A nova legislação prevê incentivos fiscais para empresas que realizam doações de alimentos e promove ações educativas voltadas à conscientização da população sobre a importância do combate ao desperdício. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, os alimentos que mais são desperdiçados incluem frutas, hortaliças, tubérculos e laticínios. A falta de aproveitamento integral dos alimentos em receitas e a prática de compras excessivas são algumas das razões que levam ao desperdício.
Para que a nova política tenha efetividade, é essencial que consumidores também se comprometam em reduzir a perda de alimentos em suas casas. Muitas vezes, o desperdício começa pela desorganização, como em armários de cozinha onde itens mais antigos ficam escondidos, contribuindo para o vencimento de produtos. Organizar a despensa, verificar os prazos de validade, elaborar listas de compras realistas e utilizar integralmente os alimentos são práticas que podem ajudar a minimizar o desperdício.
A implementação de políticas públicas eficazes, que envolvam tanto o setor público quanto o privado, é fundamental para promover um ambiente mais justo e sustentável, reduzindo assim o desperdício alimentar e suas consequências sociais e ambientais.





