O uso de celulares, que atualmente é restrito nas instituições de ensino, poderá se tornar uma importante ferramenta para a introdução da inteligência artificial (IA) nas escolas da rede estadual de Mato Grosso do Sul. A nova abordagem foi apresentada durante um evento na Governadoria, em Campo Grande, onde foi oficializada a parceria entre o Governo do Estado e o Google. Embora o acesso ao Gemini, ferramenta de IA do Google, não seja liberado para uso livre pelos alunos, ele será utilizado em atividades cuidadosamente planejadas pelos educadores.
Durante a cerimônia, o governador Eduardo Riedel, do PP, destacou que a presença da IA já é uma realidade entre os estudantes, mesmo na ausência de uma política formal de utilização. Ele mencionou que, em visitas a escolas, costuma questionar quantos alunos utilizam ferramentas de inteligência artificial, recebendo respostas que variam entre 30% e 40%. “O fato é que já está nas escolas de um jeito ou de outro. E agora a gente vai universalizar isso com direcionamento”, afirmou Riedel.
Para preparar a implementação da IA nas escolas, o governo planeja abrir vagas para a capacitação de professores da rede estadual. Riedel enfatizou a necessidade dessa formação, considerando que as tecnologias evoluem rapidamente e a educação deve acompanhar essas transformações. “Estamos abrindo vaga para capacitação de professores da rede estadual de ensino, porque é uma novidade e capacitação é permanente na vida da gente, para todo mundo, nas transformações que estão aí cada vez mais rápidas”, destacou o governador.
O secretário estadual de Educação, Hélio Daher, também se pronunciou sobre a situação atual nas escolas, ressaltando que a conectividade já é uma realidade. Ele apontou que o desafio agora será transformar o acesso à inteligência artificial em uma ferramenta de aprendizagem controlada, evitando o uso desordenado. “É importante lembrar que a conectividade hoje é real nas escolas e o acesso à ferramenta vai ser disponibilizado. A grande preocupação nossa agora é como trabalhar esse acesso”, comentou Daher.
Newton Neto, diretor-geral de Parcerias para América Latina e Canadá do Google, garantiu que os produtos da empresa estão em conformidade com a legislação brasileira, respeitando as normas de proteção de dados e as diretrizes voltadas para o ambiente digital de crianças e adolescentes. Segundo ele, o uso da plataforma por professores e alunos será realizado em uma instância específica criada para a instituição, evitando a troca direta de dados entre os usuários e o Google. “Todos os produtos do Google respeitam a legislação local relacionada à proteção de dados, ao ECA digital e etc. No caso do uso por professores, alunos e comunidade acadêmica, isso é feito dentro da própria instância que é criada para a instituição”, afirmou.
Além disso, Newton mencionou uma colaboração com a Universidade de São Paulo (USP) voltada para o desenvolvimento responsável da inteligência artificial, destacando a preocupação com a conformidade legal e a ética no uso dessas tecnologias. “Existe uma preocupação muito grande no desenvolvimento de inteligência artificial de forma responsável, cumprindo todas as legislações que estão em vigor no país”, finalizou ele.






