A negociação entre a Prefeitura de Campo Grande e os professores da Rede Municipal de Ensino (Reme) não chegou a um consenso na manhã de quarta-feira (24). Durante uma reunião, o Executivo apresentou uma proposta de reajuste salarial de 3,4%, que seria dividida em duas parcelas de 1,7%. No entanto, a oferta foi prontamente rejeitada pelo Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública (ACP), que defende a aplicação integral do percentual de 5,4% estabelecido pela política nacional do Piso 20h.
A proposta foi discutida em uma reunião da Comissão Mista de Negociação, que conta com representantes da Prefeitura, da ACP, da Comissão de Educação da Câmara Municipal e do Conselho de Secretários. Após a recusa da proposta, as partes acordaram uma nova reunião para o dia 1º de novembro, às 10h, na Prefeitura de Campo Grande, onde o Executivo deverá apresentar uma nova alternativa para a categoria.
A decisão da diretoria da ACP foi referendada em Assembleia Geral Extraordinária, realizada na noite de quinta-feira (25) no auditório da Fetems. Durante a assembleia, os professores reafirmaram a rejeição da proposta e mantiveram a demanda pelo cumprimento integral do reajuste de 5,4%, que beneficia cerca de 9 mil profissionais da Rede Municipal.
Gilvano Kunzler Bronzoni, presidente da ACP, afirmou que a proposta foi descartada logo no início da reunião por não atender ao percentual considerado mínimo pela categoria. "Eles trouxeram uma proposta que não contemplava os 5,4%. Nós deixamos claro que não iríamos avaliar uma proposta abaixo desse percentual", declarou. De acordo com Gilvano, o plano da prefeitura previa um aumento de 3,4%, parcelado em duas partes, com pagamento agendado para dezembro deste ano e janeiro de 2027.
Com o percentual abaixo do que foi reivindicado, o sindicato optou por não levar a proposta para discussão. "A gente preferiu nem levar essa proposta para avaliação porque ela não atingia os 5,4%", explicou o presidente da ACP. Ele enfatizou que a posição da categoria é firme em relação ao índice solicitado, que está alinhado à política municipal do Piso 20h.
Por outro lado, Ulisses Rocha, secretário municipal de Governo e Relações Institucionais, destacou que a principal dificuldade enfrentada é de ordem financeira. Segundo ele, o município recebe anualmente cerca de R$ 960 milhões do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), mas os gastos com a folha de pagamento da educação alcançam aproximadamente R$ 1,5 bilhão. "Recebemos cerca de R$ 960 milhões por ano e gastamos aproximadamente R$ 1,5 bilhão com o pagamento de salários. Ou seja, mais de R$ 500 milhões precisam sair do caixa da Prefeitura", afirmou Rocha.






