Um conflito administrativo entre duas empresas de transporte rodoviário, a Empresa de Transportes Andorinha e a Guerino Seiscento, está causando sérias repercussões no setor de transporte interestadual, impactando diretamente milhares de passageiros em Mato Grosso do Sul. A disputa gira em torno de alegações de irregularidades operacionais e decisões da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), resultando em uma suspensão de 23 autorizações da Guerino Seiscento, afetando rotas fundamentais, como Campo Grande-São Paulo e Campo Grande-Santos.
Recentemente, a Diretoria Colegiada da ANTT decidiu manter a suspensão das autorizações da Guerino Seiscento até que o processo administrativo referente às alegações de irregularidades seja concluído. A Andorinha acusa a Guerino de utilizar autorizações de linhas interestaduais para realizar operações que, na prática, seriam intermunicipais dentro do Estado de São Paulo, o que, segundo a denúncia, violaria as normas regulatórias e criaria uma concorrência desleal.
A Guerino Seiscento, por sua vez, nega veementemente as acusações e afirma que sempre atuou em conformidade com a legislação vigente. Em nota, a empresa critica a decisão da ANTT e destaca que a suspensão das autorizações prejudica milhares de passageiros, que enfrentam a redução das opções de transporte disponíveis. A Guerino informou que continuará a lutar para restaurar suas operações, buscando recursos nas esferas administrativa e judicial.
Os efeitos dessa disputa, que se origina em questões regulatórias no Estado de São Paulo, já são sentidos em Mato Grosso do Sul. Os preços das passagens aumentaram significativamente, refletindo a escassez de opções de transporte. A tarifa da linha Campo Grande-São Paulo saltou de R$ 285,99 para R$ 670, um aumento de 25,9%. Para a rota Campo Grande-Santos, a passagem agora custa R$ 430,44, enquanto que antes era R$ 342, resultando em um acréscimo de 28,1%. Outra linha, a Campo Grande-Brasília, teve um aumento no preço de R$ 858,32.
A situação é preocupante para os passageiros que dependem dessas rotas para viagens entre estados. A redução das opções de transporte e o aumento nos preços das passagens colocam em evidência a necessidade de uma resolução rápida para o impasse entre as duas empresas. Apesar da relevância do tema, até o fechamento desta edição, tanto a Empresa de Transportes Andorinha quanto a Guerino Seiscento não haviam enviado posicionamentos oficiais sobre a situação.
Esse embate no setor de transporte rodoviário destaca a complexidade das regulações que governam as operações interestaduais e os impactos diretos que decisões administrativas podem ter sobre o cotidiano dos cidadãos. A continuidade da disputa promete ainda mais desdobramentos nos próximos meses, com a expectativa de que a ANTT finalize o processo administrativo e defina o futuro das operações da Guerino Seiscento.






