O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) está conduzindo um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) relacionado à Operação Gutenberg, que revelou a participação de pelo menos oito políticos de Mato Grosso do Sul em diálogos interceptados. Essas conversas estão ligadas a um esquema de corrupção que envolve a venda de livros paradidáticos para prefeituras.
Entre os políticos mencionados estão o vice-governador José Carlos Barbosa, conhecido como Barbosinha (Republicanos), e o deputado federal Dagoberto Nogueira (PP). Além deles, os deputados estaduais Paulo Corrêa (PL), Mara Caseiro (PL), Jamilson Name (PP) e Lídio Lopes (Avante), o vereador Herculano Borges (Republicanos) e a ex-deputada federal Rose Modesto (União Brasil) também são citados. As referências a esses nomes aparecem em diferentes partes do Relatório de Informação gerado durante as investigações.
Um dos diálogos, datado de 28 de julho de 2022, envolve Ed Carlos Britto Burgatt, que se encontra preso e foi afastado de seu cargo na Coordenadoria de Regulação e Assistência do Estado (CRA). Ele informa ao advogado Gabriel Taquino de Paula, também preso e identificado como vendedor da Editora Avante, sobre uma reunião marcada com um assessor de Barbosinha. Na conversa, Burgatt menciona que o então deputado tinha “dez municípios” para atender com materiais da Editora Avante e a intenção de buscar apoio de outro parlamentar para expandir os negócios.
Os investigados discutem também a expectativa de lucro financeiro do esquema, mencionando a intenção de “fechar tudo que vier”. No dia 1º de agosto de 2022, Burgatt relata novas reuniões com Barbosinha e um assessor de Herculano Borges. Em seguida, Taquino faz cálculos sobre os valores a serem recebidos, que giram em torno de um contrato de aproximadamente R$ 1,04 milhão.
O nome de Dagoberto Nogueira surge em um diálogo de 10 de maio de 2023, em que Burgatt e Taquino falam sobre direcionamento de contratos públicos para a venda de livros paradidáticos. Contudo, o relatório não atribui responsabilidade criminal aos agentes políticos citados, limitando-se a registrar os diálogos e contextualizá-los dentro da investigação.
O procurador-geral de Justiça, Romão Avila Milhan Júnior, analisou os autos da Operação Gutenberg e não imputou crimes aos políticos mencionados no PIC. Sua análise teve um caráter jurídico, focando na definição da competência para o prosseguimento da investigação. Em uma decisão datada de 2 de outubro de 2025, Romão destacou que o relatório passou a mencionar autoridades com foro privilegiado, como deputados estaduais e prefeitos, e determinou o envio dos autos ao Tribunal de Justiça para avaliação da continuidade das apurações.






