Investigação do Gaeco envolve 29 prefeituras de MS em esquema de desvio de recursos

O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) está conduzindo a Operação Gutenberg, que investiga um esquema de corrupção envolvendo 29 prefeituras de Mato Grosso do Sul. Os indícios apontam que contratos relacionados à aquisição de livros paradidáticos foram utilizados para desviar recursos públicos e pagar vantagens indevidas. O procedimento investigatório criminal (PIC) revela que o total movimentado ultrapassa R$ 27 milhões, evidenciando a gravidade da situação.

Ao longo das 472 páginas do relatório, constam referências a contratos, documentos e movimentações financeiras que envolvem a Editora Avante. O levantamento aponta que a maior parte das atividades suspeitas ocorreu em 2022, com 26 prefeituras citadas nesse período. As exceções são Caarapó, mencionada em 2020; Ladário, que aparece em registros de 2022 e 2023; e Deodápolis, citada em documentos de 2025.

As prefeituras que têm contratos detalhados logo no início da investigação incluem Miranda, que firmou um contrato no valor de R$ 1.044.355,00 para a compra de livros, e Ivinhema, com um contrato de R$ 586.862,50, que recebeu um aditivo de R$ 287.267,50, totalizando R$ 874.130,00. Ladário também figura na lista, com um contrato de R$ 459.286,00, ambos celebrados por inexigibilidade de licitação.

Campo Grande é mencionada em razão de uma investigação anterior que envolve a Editora Alvorada, com contratos na ordem de R$ 5,66 milhões, servindo de precedente para as investigações sobre a Editora Avante. Além disso, outras prefeituras como Bonito, Angélica, Douradina, Itaporã e Inocência foram identificadas em relatórios bancários e análises de movimentações financeiras, tendo realizado pagamentos à editora ou sendo citadas nas investigações.

Ainda, Dourados também aparece em documentos anexados, mas não como contratante da Editora Avante no foco principal da investigação. O relatório indica que figuras políticas como Francisco de Paula Ribeiro Júnior e outros deputados estaduais e federais estão entre os mencionados nas investigações. Em diálogos registrados, são discutidas reuniões e estratégias para facilitar a atuação da Editora Avante em diversos municípios.

As conversas revelam articulações entre políticos e representantes da editora, destacando a complexidade do esquema investigado. Os diálogos de julho de 2022 mostram interações entre Ed Carlos e outros políticos, revelando o envolvimento de vários agentes na busca por contratos que beneficiariam a Editora Avante. O Gaeco segue com as investigações para esclarecer todas as movimentações financeiras e possíveis irregularidades.

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