Os vereadores de Campo Grande apresentaram um total de 24.673 indicações ao Poder Executivo durante os primeiros seis meses de 2023. Dentre essas solicitações, aproximadamente 9 mil foram direcionadas para a realização de serviços de tapa-buracos em diversas áreas da cidade. Esse número representa 36,5% do total de indicações, evidenciando que quase quatro em cada dez pedidos da população estão relacionados à problemática dos buracos nas vias urbanas.
Flávio Cabo Almi, presidente da Comissão de Obras, ressaltou a urgência da situação, afirmando que enquanto o Poder Executivo não tomar medidas eficazes, a comissão continuará a pressionar por ações. Ele destacou que a sobrecarga nas empresas responsáveis pelo serviço se deve à restrição de participação de uma delas, que atuava na região do Anhanduizinho, o que tem dificultado a execução dos serviços de tapa-buracos.
A Construtora Rial, que realizava o serviço nas regiões do Anhanduizinho, Bandeira, Segredo e Imbirussu, foi alvo da Operação Buraco Sem Fim, que investiga irregularidades em contratos relacionados ao tapa-buracos. Com a retirada da empresa, as quatro áreas tiveram os serviços paralisados. Desde 2018 até 2025, a Construtora Rial acumulou um faturamento superior a R$ 114,6 milhões e, a partir de 3 de julho de 2023, ficou proibida de participar de processos licitatórios ou de firmar contratos com o Poder Público.
Com a situação crítica, a RR Barros Serviços e Construções Ltda. assumiu a responsabilidade pelo tapa-buracos nas regiões afetadas, além de já atuar em outras áreas da cidade. A Câmara Municipal propôs uma operação emergencial em parceria com o Exército Brasileiro para aumentar a capacidade operacional da Prefeitura nesse período de escassez de equipes de manutenção do asfalto.
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) também está monitorando a situação. Em um levantamento, foram identificados contratos e aditivos da Construtora Rial que totalizam R$ 113.702.491,02. Além disso, a Operação Cascalhos, realizada em 2023, investigou uma organização criminosa ligada a crimes de peculato, corrupção e lavagem de dinheiro, com valores relacionados que ultrapassam R$ 300 milhões.
Como medida imediata, o MPMS recomendou que a Prefeitura apresente, em até 20 dias, informações detalhadas sobre o planejamento e a execução da operação de tapa-buracos, exigindo transparência e prestação de contas sobre a reincidência de buracos nos mesmos locais, falhas contratuais e responsabilização das empresas contratadas. Também é solicitado que o município informe sobre os materiais e técnicas utilizados na recuperação do pavimento e as medidas adotadas em caso de falhas nos reparos.





