A Usina Hidrelétrica Assis Chateaubriand, popularmente conhecida como Usina do Mimoso, em Ribas do Bio Pardo, enfrenta um desafio com a rápida proliferação de plantas aquáticas em seu lago. Em resposta a essa situação, a empresa Elera Renováveis, responsável pela operação da usina, decidiu liberar água extra nesta sexta-feira (17), um movimento inusitado durante o período de estiagem, para mitigar o problema das plantas invasoras.
Atualmente, cerca de 18% da área do lago, que abrange 1,5 mil hectares, está coberta por vegetação aquática. Esse percentual, embora abaixo do limite máximo permitido pela legislação ambiental, que é de 25%, não considera as plantas aquáticas fixas, que também se espalharam de forma descontrolada desde o início do ano passado. A primeira liberação de água do Rio Pardo para o mesmo fim ocorreu no final de outubro do ano anterior, após o início da temporada de chuvas, quando a necessidade de represamento de água para geração de energia era menor.
A Elera Renováveis reconhece que a liberação de água realizada nesta sexta-feira não ocorreu no momento ideal, especialmente devido às condições climáticas, que favorecem o acúmulo das plantas próximo ao vertedouro. Em nota, a empresa destacou que o período seco, que teve início em abril, contribui para a proliferação das macrófitas, e a baixa vazão dos rios durante a estiagem dificulta as operações de vertimento.
Sob a administração da Elera até 2029, a Usina do Mimoso, que foi inaugurada em 1971, apresenta um lago que, apesar de ter sua capacidade reduzida devido ao assoreamento, ainda comporta 71,6 bilhões de litros de água. Desde o início da estiagem no ano passado, a proliferação das plantas aquáticas se intensificou, o que não era registrado anteriormente por fazendeiros e proprietários de casas de campo que utilizam a área há décadas. O lago, que historicamente serviu para esportes aquáticos e pesca, atualmente enfrenta a suspensão dessas atividades.
Além da liberação de água, a Elera também realiza a remoção mecanizada das plantas para evitar que elas atinjam o limite de 25% do lago. Contudo, a proliferação voltou a ganhar força neste período de estiagem, assim como ocorreu no ano passado. O lago da usina possui 37 quilômetros de extensão e, para fins comparativos, o Lago do Amor, localizado em Campo Grante, possui aproximadamente 7 hectares de área.
Após a passagem da água poluída e das plantas aquáticas pela represa da Usina do Mimoso, os resíduos acabam desembocando no lago da Usina Sérgio Mota, situada nas proximidades de Bataguassu. Este lago, por sua vez, é significativamente maior, com cerca de 225 mil hectares, e já recebe rejeitos de duas fábricas de celulose em operação em Três Lagoas, além de outras duas que devem iniciar atividades nos próximos anos em Inocência e Bataguassu.






