Cícero da Silva, um indígena de 109 anos, alcançou um marco inédito em sua vida ao obter, na última sexta-feira (31), sua primeira Carteira de Identidade Nacional. O evento ocorreu na Aldeia Indígena Te'ýikue, em Caarapó, onde um posto de identificação foi inaugurado, permitindo que os moradores da comunidade tenham acesso a serviços de documentação sem a necessidade de longos deslocamentos até a cidade.
Considerado um dos mais antigos residentes da aldeia, Cícero foi um dos primeiros a ser atendido na nova unidade. O momento foi acompanhado por seu filho e cacique Anísio da Silva, que definiu a emissão do documento como um acontecimento histórico para a família. Anísio ressaltou a importância do atendimento local, especialmente para seu pai, que enfrenta dificuldades de locomoção. "Para ele é muito importante porque já não consegue mais andar. Agora o atendimento está dentro da aldeia e ele ficou muito alegre", afirmou.
O cacique também comentou sobre os desafios enfrentados anteriormente pelos moradores para obter documentos. "Antes, o pessoal ia de bicicleta. Quando chovia, chegava atrasado e perdia o agendamento. Depois precisava remarcar e esperar mais 30 dias. O tempo ia passando e não tinha jeito. Agora o posto está aqui dentro da aldeia e o atendimento vai ser muito melhor para todos", disse.
A unidade inaugurada em Te'ýikue é a primeira do tipo instalada em uma comunidade indígena no Mato Grosso do Sul e figura entre as pioneiras do Brasil. Essa iniciativa é fruto de uma parceria entre a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública e a Secretaria de Estado de Educação, com o objetivo de facilitar o acesso à documentação civil para populações que historicamente enfrentam dificuldades nesse aspecto.
Wagner Ferreira da Silva, secretário-executivo de Segurança Pública, destacou a relevância da instalação do posto, que busca assegurar um direito básico a grupos que, por muito tempo, tiveram acesso limitado aos serviços públicos. "Este é o primeiro posto de identificação instalado em uma comunidade indígena", ressaltou Ferreira.
O Mato Grosso do Sul abriga a terceira maior população indígena do Brasil, totalizando 116.469 indígenas, que em sua maioria residem em áreas afastadas dos centros urbanos. A instalação de postos fixos visa reduzir a necessidade de deslocamentos e ampliar o acesso à documentação civil, garantindo que os moradores de regiões remotas possam exercer seus direitos com mais facilidade.






