Após a finalização da disputa pela Ptax de fim de mês, o dólar à vista registrou uma alta de 0,18%, encerrando o dia cotado a R$ 5,0704. O aumento é impulsionado pela cautela dos investidores diante das tensões no Oriente Médio, especialmente após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que atacará o Irã com 'toda a força'. Além disso, Israel rejeitou o plano do Conselho da Paz para a Faixa de Gaza. O movimento também é influenciado pelo fortalecimento da moeda americana no exterior e pelo aumento dos Treasuries, após pronunciamentos de dirigentes do Federal Reserve (Fed) sobre a necessidade de um aumento de 0,25 ponto porcentual nas taxas de juros dos Estados Unidos.
O chefe da mesa de operações do C6 Bank, Felipe Garcia, comentou que a movimentação do câmbio nesta sexta-feira está relacionada a um ajuste, com o dólar sendo puxado pelo cenário externo, especialmente pela abertura das taxas dos Treasuries. Na véspera, o real havia apresentado um desempenho positivo, atingindo sua melhor cotação desde 2 de junho. Garcia observou que, apesar da falta de notícias relevantes, o conflito no Oriente Médio faz com que o mercado fique mais defensivo.
As declarações de Trump, que reiterou a intenção de neutralizar a capacidade militar do Irã e expressou desconfiança em relação a um acordo com o país, também impactaram o mercado. Contudo, Garcia ressaltou que o mercado tem aprendido a reagir de forma cautelosa, ajustando preços apenas quando eventos significativos ocorrem. A economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli, destacou que a busca por proteção antes do final de semana proporcionou suporte à moeda americana, e o ajuste da Ptax de fim de mês teve influência nos preços.
A Ptax fechou em R$ 5,0773, com alta de 0,07% em comparação ao fechamento anterior, embora tenha apresentado uma queda de 1,92% ao longo do mês de julho e de 7,73% no ano. Em julho, o real se valorizou em 1,79% em relação ao dólar no mercado à vista, impulsionado pela valorização de mais de 20% dos contratos futuros de petróleo e pela atratividade do carry trade.
Garcia enfatizou que o desempenho do petróleo contribuiu positivamente para os termos de troca e a balança comercial, resultando em uma conta corrente melhor do que a esperada. O investimento direto estrangeiro também apresentou números favoráveis, e o cenário de carry alto favoreceu a valorização do real. Durante a semana, o dólar apresentou uma queda de 0,21%, acompanhada por um discurso mais brando do presidente do Fed, Kevin Warsh, que ajudou a aumentar o apetite por risco no mercado.
Por volta das 17 horas, o DXY, indicador que mede o desempenho do dólar frente a seis moedas fortes, subia 0,10%, embora a alta tenha sido limitada pela recuperação do iene japonês. O contrato do dólar para agosto avançou 0,23%, cotado a R$ 5,0780.






