Mato Grosso do Sul apresentou um aumento no número de armas de fogo apreendidas durante os primeiros sete meses de 2023, destacando-se a quantidade de fuzis, que alcançou a marca de 20 apreensões. Este número representa o dobro em comparação ao ano passado e é quatro vezes maior do que em 2022, quando apenas 14 fuzis foram confiscados. O total de 1.117 armas apreendidas no estado entre 1º de janeiro e 31 de julho reflete um esforço contínuo para combater o Crime Organizado, especialmente ações direcionadas ao Comando Vermelho (CV) e ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
De acordo com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), a maioria das armas apreendidas é composta por revólveres, pistolas e espingardas, sendo que mais de 50% das apreensões envolvem armas adulteradas ou com numeração raspada. O aumento nas apreensões de fuzis, no entanto, é um dado alarmante e um indicativo do crescimento da violência e das disputas territoriais entre facções criminosas na região.
Antônio Carlos Videira, titular da Sejusp, atribui o aumento nas apreensões ao reforço das ações policiais e à colaboração entre os estados de São Paulo, Mato Grosso e Paraná. Essa parceria tem como objetivo intensificar a fiscalização nas rodovias, que são utilizadas por organizações criminosas para o transporte de armas e drogas. A localização geográfica de Mato Grosso do Sul, que faz fronteira com o Paraguai e a Bolívia, também contribui para a problemática, com quase metade das apreensões ocorrendo nas áreas limítrofes.
As disputas entre as facções não se limitam ao estado, uma vez que elas têm buscado armamento e munições para outras regiões do Brasil, com uma parte significativa dessas armas proveniente do Paraguai. O governo FEDERAL tem implementado um programa denominado Brasil contra o Crime Organizado, com o intuito de asfixiar financeiramente essas organizações. A iniciativa, instituída em maio de 2023, visa promover a atuação de inteligência e a cooperação entre diferentes instituições.
Videira destacou que os recursos destinados à segurança pública em Mato Grosso do Sul são economizados e direcionados para outras ações, principalmente em Campo Grande. O governo FEDERAL também disponibilizou recursos para custear diárias de policiais em operações contra facções criminosas nas regiões de fronteira e biomas, com a previsão de utilização desses recursos até setembro.
Recentemente, as facções PCC e CV foram classificadas como terroristas pelo governo dos Estados Unidos. Entretanto, o secretário de Segurança Pública esclareceu que o aumento das operações de combate não é uma resposta a essa classificação, mas sim uma consequência do programa FEDERAL. Com a intensificação das ações, espera-se um impacto significativo no combate ao Crime Organizado na região.





