A Justiça determinou, no dia 24 de setembro, o afastamento integral da diretoria corporativa e do conselho de administração da Santa Casa de Campo Grande, além de uma supervisora. A decisão é decorrente de uma investigação que apura o desvio de recursos significativos do hospital. A 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos nomeou Luiz Alberto Hiroki Kanamura como gestor provisório, com um mandato inicial de 180 dias.
Cerca de 20 integrantes da diretoria e do conselho foram afastados, incluindo Alir Terra Lima, diretora-presidente, que já havia sido afastada cautelarmente devido à prisão preventiva. Outros afastados são Heitor Miguel Scheibeler, Ivan Araújo Brandão, Valdir Osvaldo Junior, e Paulo Guilherme Gutierrez Mariosa, todos ocupando cargos de destaque na administração do hospital. Além deles, Monique Gregório, supervisora do serviço de arquivo médico e estatística, também foi afastada sob as mesmas circunstâncias.
A Justiça também impôs a proibição de recondução aos cargos em novas eleições para os membros da diretoria corporativa afastados. A Santa Casa não se manifestou publicamente sobre a decisão judicial e as implicações relacionadas ao caso.
As investigações estão sendo conduzidas pela Operação Antidotum, que é parte do trabalho do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), ambos do Ministério Público de Mato Grosso do Sul. No total, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia, Goiás.
A origem da investigação remonta a suspeitas sobre um contrato da Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande, que visava à digitalização de prontuários médicos. O contrato estipulava um pagamento de R$ 1,8 milhão por ano, totalizando R$ 5,4 milhões ao longo de três anos. De acordo com o Ministério Público, aproximadamente R$ 1,4 milhão teriam sido desviados apenas no primeiro ano do acordo.
Além disso, a investigação também revelou irregularidades em contratos firmados pela Operadora Santa Casa Saúde, que é controlada pela mesma associação. O MPMS identificou que esses contratos foram estabelecidos com empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico, cujos proprietários têm ligações com membros da diretoria do hospital.






