Pesquisadores do Einstein Hospital Israelita conduziram uma análise que abrange 200 estudos científicos publicados entre 2013 e 2024, reunindo informações sobre mais de 14,5 milhões de indivíduos. O objetivo foi criar um panorama detalhado sobre as hepatites virais No Brasil, englobando as hepatites A, B, C, D e E. A pesquisa faz parte do projeto Caracterização de Hepatites Virais em Populações Vulnerabilizadas, desenvolvido no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS).
A pesquisa visa fornecer subsídios para aprimorar as estratégias de prevenção e tratamento, com a meta de eliminar as hepatites virais até 2030. Os resultados do estudo foram publicados na revista científica PLOS ONE. O coordenador do estudo, João Renato Rebello Pinho, que atua no Departamento de Patologia Clínica do Einstein, destacou que a atenção das pessoas geralmente se volta mais para as hepatites B e C, que são as mais comuns e frequentemente evoluem para formas crônicas.
A hepatite A, embora considerada uma hepatite aguda, pode resultar em casos graves e é uma doença que pode ser prevenida por meio da vacinação. Rebello Pinho Enfatizou que a hepatite A voltou a ser um problema No Brasil, especialmente entre homens, devido a novas formas de transmissão. A infecção tem sido observada em contextos de contato oral/anal, particularmente durante relações sexuais, o que facilitou a disseminação do vírus entre a população.
O especialista apontou que a infecção começou a se manifestar nos grupos de homens que fazem sexo com outros homens, mas rapidamente se espalhou para outras populações que não estavam vacinadas. No que diz respeito à hepatite E, a prevalência na população geral foi observada entre 0,9% e 59,4%, sendo a taxa mais alta registrada na Região Sul.
O estudo coordenado pelo Einstein Hospital Israelita pode servir como uma ferramenta para profissionais de saúde, gestores e pesquisadores, auxiliando no planejamento de iniciativas que estejam alinhadas aos esforços do Brasil para eliminar as hepatites virais até 2030. O Proadi-SUS, criado em 2009, busca apoiar e melhorar o SUS por meio de projetos que envolvem capacitação, pesquisa e gestão em saúde, com o suporte de hospitais de referência.
Os recursos do Proadi-SUS são provenientes da imunidade fiscal dos hospitais participantes, que incluem instituições de renome como A.C. Camargo Cancer Center, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Hcor, Einstein Hospital Israelita, Hospital Moinhos de Vento e Hospital Sírio-Libanês.





