A aposentada Sara Evangelista Ibraim, de 86 anos, moradora do Bairro Guanandi, em Campo Grande, contesta uma cobrança de R$ 21 mil na conta de luz. A família afirma que a fatura de setembro e outubro reúne um demonstrativo de R$ 10.454 e outras oito parcelas. As contas anteriores, segundo os parentes, ficavam em torno de R$ 250 por mês.
A filha, Maisa Jara, de 64 anos, diz que procurou a Energisa no dia seguinte ao recebimento da primeira fatura, em 15 de outubro. No atendimento, conforme ela, a empresa alegou que a equipe não conseguiu acessar o medidor para fazer a leitura. Maisa contesta a versão e afirma que o funcionário teve acesso ao aparelho. Ela também relata que a concessionária dividiu parte do valor sem que a mãe tivesse pedido o parcelamento.
Dois demonstrativos entregues em dias consecutivos geraram nova dúvida. Segundo Maisa, o documento recebido em 15 de outubro não mencionava faturamento pela média. No dia seguinte, ela pediu um histórico mais longo, com dados desde 2022, e recebeu outro demonstrativo, desta vez com a anotação. A família quer saber a que mês a anotação se refere e como a concessionária chegou ao valor cobrado.
Sara mora sozinha na casa há 56 anos e recebe cerca de R$ 1.600 por mês. Segundo os parentes, ela passa boa parte do dia na casa da filha, que fica em frente, usa raramente a máquina de lavar, quase não liga o ventilador nem assiste à televisão e não usa o micro-ondas. A aposentada afirma que sempre pagou as contas em dia e que, desde outubro, deixou de receber as faturas do consumo corrente. “Quero pagar o que eu usei e que eu estou usando”, disse.
A neta, Silvia Jara, de 43 anos, conta que a energia chegou a ser cortada e que o fornecimento voltou no dia seguinte. A família diz que já recebeu três negativas da Energisa e que procurou a Defensoria Pública, mas ainda não havia número de protocolo para acompanhar o caso. Segundo Maisa, a empresa informou na sexta-feira (6) que suspendeu uma notificação de protesto ligada à cobrança. A Energisa afirmou que retirou o medidor em 29 de setembro, a pedido da cliente, para aferição pelo Inmetro, e que o laudo de 13 de outubro não apontou irregularidades. A concessionária disse que o consumo registrado correspondia à energia efetivamente utilizada e que mantinha contato com a cliente, mas não detalhou quais leituras e períodos entraram no cálculo dos R$ 21 mil.





