Atraso no desembarque em aeroporto evidencia falta de acessibilidade

A falta de infraestrutura para atender passageiros com deficiência ou mobilidade reduzida trouxe mais um episódio de transtornos nos aeroportos brasileiros. Neste sábado (6), o jornalista Jairo Marques, repórter especial da Folha de S.Paulo e natural de Três Lagoas, ficou preso dentro de uma aeronave da Azul por 1 hora e 10 minutos após o pouso no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, devido à ausência de ambulifts, equipamentos essenciais para o desembarque seguro desse público.

Jairo, que é cadeirante, relatou que ao chegar ao aeroporto, os ambulifts estavam quebrados. Ele havia viajado de Belo Horizonte (MG) e durante a ida, na quinta-feira (4), já havia enfrentado problemas com um equipamento que tinha a porta danificada e adaptações inadequadas no sistema de segurança. "Na volta não tinha ambulift. Os ambulifts estavam todos quebrados", afirmou.

Durante a espera, a companhia aérea solicitou várias prorrogações para resolver a situação. Enquanto isso, o jornalista permaneceu na aeronave, sendo acompanhado pela tripulação, que ofereceu suporte durante todo o tempo. Jairo destacou que não era o único afetado, pois outros passageiros também estavam à espera de atendimento. Alguns deles teriam aguardado até duas horas pela chegada do equipamento.

A alternativa apresentada Para Jairo foi o uso de uma cadeira escaladora, que ele considerou insegura e recusou. "Eu não desço naquilo de jeito nenhum", disse. A solução encontrada foi o uso de um ambulift da companhia aérea Gol, que estava atendendo a outros voos no aeroporto. Jairo enfatizou que a responsabilidade pelo atendimento especializado é da operadora aeroportuária, embora algumas companhias possuam seus próprios equipamentos.

Este episódio ocorre em um contexto preocupante, poucos dias após a morte de uma passageira de 80 anos no Aeroporto de Congonhas, que sofreu uma queda ao utilizar uma escada durante o desembarque. Jairo ressaltou a urgência de melhorias na assistência prestada às pessoas com deficiência. "Parece que a dor das pessoas está se tornando imune. O que precisa acontecer para que esse atendimento seja realmente de qualidade?", questionou.

Uma situação semelhante foi vivida em março deste ano pela jornalista Sara Santos Pacini e seu marido, Lucas Pacini, que perderam uma conexão no Aeroporto de Guarulhos após aguardarem cerca de uma hora dentro de uma aeronave pela chegada de um ambulift. O atraso resultou na perda do voo subsequente para Cascavel (PR) e causou problemas com bagagens e despesas adicionais para chegar ao destino.

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