Aumento do Preço do Enxofre Impacta Uso de Superfosfato Simples no Brasil

A recente elevação do preço do enxofre no mercado internacional tem gerado impactos significativos na competitividade do Superfosfato Simples (SSP), um fertilizante amplamente utilizado por agricultores brasileiros. O consultor do agronegócio, Antonio Prado G. B. Neto, destaca que o aumento do insumo para níveis próximos a US$ 1.000 por tonelada altera substancialmente a estrutura de custos de produção do SSP.

Historicamente, o Superfosfato Simples se tornou popular entre os produtores devido à combinação de fósforo solúvel, cálcio e enxofre, além de oferecer um custo relativamente baixo por hectare, adequando-se bem a sistemas de cultivo extensivos. Entretanto, com o cenário atual de alta nos preços do enxofre, essa vantagem econômica precisa ser reavaliada.

Para a produção de uma tonelada de SSP, são necessários aproximadamente 300 a 350 quilos de enxofre. Com o preço do insumo em US$ 1.000 por tonelada, o custo do enxofre por tonelada de fertilizante salta para cerca de US$ 300 a US$ 350. Essa nova realidade pressiona a viabilidade industrial, podendo levar à redução ou até mesmo à paralisação de plantas, como é o caso da Mosaic, resultando em queda na oferta no mercado.

Essa situação remete ao choque de 2008, quando o preço do enxofre disparou durante o pico das commodities. Naquela época, a indústria, incluindo a Bunge Fertilizantes, lidou com estoques caros e uma rápida mudança no mercado, que deixou prejuízos nos balanços por meses. A principal lição que permanece é que os riscos não se limitam apenas ao aumento de preços, mas também à volatilidade do mercado.

Entre os anos de 2000 e 2007, o preço do enxofre oscilou entre US$ 20 e US$ 50 por tonelada, mantendo um mercado equilibrado. Em 2008, o valor saltou para US$ 600 a US$ 800. De 2009 a 2019, o preço retornou a uma faixa mais previsível, variando entre US$ 50 e US$ 150. No ciclo de 2020 a 2022, o custo avançou de US$ 80 para US$ 400, influenciado por fatores como a pandemia de Covid-19, rupturas logísticas e a guerra na Ucrânia. Após oscilações entre US$ 100 e US$ 180 em 2023 e 2024, o preço atingiu US$ 1.000 por tonelada em 2025.

Diante dessa nova realidade, agrônomos e agricultores devem buscar alternativas de fósforo mais concentradas, como MAP, fosfatos reativos e fosfatos naturais. Adicionalmente, o manejo das culturas exigirá maior eficiência agronômica, correção adequada do solo e uso mais eficaz de calcário. O SSP não desaparecerá do mercado, mas sua competitividade histórica, que o tornava acessível, está sob pressão.

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