A recente morte do fisiculturista e influenciador digital Gabriel Ganley, aos 22 anos, reacendeu a discussão sobre os perigos associados ao uso de anabolizantes e seu impacto na saúde cardiovascular. O jovem foi encontrado sem vida em seu apartamento na Mooca, zona leste de São Paulo, e a causa da morte, conforme o atestado, foi cardiomiopatia hipertrófica, uma condição que torna o músculo cardíaco anormalmente espesso, dificultando o bombeamento de sangue. Especialistas ressaltam que essa condição pode ser agravada pelo uso dessas substâncias.
Gabriel Ganley, que usava hormônios e discutia abertamente o consumo de anabolizantes em suas redes sociais, havia começado sua trajetória defendendo o fisiculturismo natural. O caso provocou grande repercussão nas mídias sociais e gerou um alerta sobre o aumento do uso de testosterona e esteroides anabolizantes entre adolescentes e jovens adultos no Brasil. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revelam que o consumo de testosterona aumentou 670% nos últimos cinco anos. Um estudo da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) mostra que 1 em cada 16 estudantes do Ensino Fundamental ou Médio já fez uso de anabolizantes.
O aumento do uso dessas substâncias é motivo de preocupação entre especialistas em saúde cardiovascular, pois os EFEITOS vão além da estética e do ganho muscular. A utilização contínua pode levar a alterações silenciosas no organismo e aumentar significativamente o risco de infartos, arritmias, hipertensão e insuficiência cardíaca, afetando até mesmo pessoas muito jovens. De acordo com o cirurgião cardiovascular Adriano Milanez, os anabolizantes provocam mudanças significativas nos vasos sanguíneos e no funcionamento do coração. “O uso de anabolizantes causa alterações no funcionamento do organismo. Além do desejado ganho muscular, podem ocorrer alterações nos vasos sanguíneos que favorecem obstruções e infarto. Também pode haver aumento da pressão arterial, levando à hipertrofia do músculo cardíaco”, alerta.
A facilidade de acesso e a busca por resultados rápidos têm contribuído para a banalização do uso desses produtos entre os jovens. Muitos usuários recorrem a produtos clandestinos, sem controle de qualidade e sem acompanhamento médico, o que intensifica os RISCOS à saúde. Em muitos casos, as substâncias são utilizadas em doses muito superiores às indicadas clinicamente. Médicos enfatizam que a reposição hormonal deve ocorrer APENAS com diagnóstico médico e necessidade comprovada. O uso estritamente para fins estéticos representa um risco considerável e pode resultar em consequências irreversíveis.
A morte de Gabriel Ganley causou comoção entre fãs, amigos e profissionais do fisiculturismo. A Integralmedica, marca de suplementos que patrocinava o atleta, declarou que ele “inspirava milhares de jovens” com seus conteúdos sobre disciplina e treinamento. Enquanto a investigação sobre sua morte está em andamento, especialistas reiteram que o caso serve como um alerta sobre os perigos do uso indiscriminado de anabolizantes e a necessidade de aumentar as campanhas de conscientização, especialmente voltadas para os jovens.





