O cinema brasileiro recebeu reconhecimento internacional ao conquistar prêmios na 13ª edição dos Prêmios Platinos, realizada em Cáncun, no México, no último sábado (9). O filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça, obteve quatro estatuetas, incluindo Melhor Filme, Roteiro, Diretor e Ator. Esta é a primeira vez que um brasileiro é agraciado com o prêmio de Melhor Ator, refletindo a crescente valorização da produção nacional no cenário internacional.
Além de O Agente Secreto, o documentário Apocalipse nos Trópicos, da diretora Petra Costa, também foi destacado ao vencer na categoria Melhor Documentário. Este longa-metragem aborda o governo de Jair Bolsonaro e a tentativa frustrada de golpe de Estado em 2023, além de discutir a influência da fé evangélica na política do Brasil. O filme superou concorrentes de países como Paraguai e Espanha, solidificando sua relevância nas discussões contemporâneas.
Kleber Mendonça, ao receber os prêmios, ressaltou a importância do cinema como ferramenta de resistência em tempos de desinformação. Ele enfatizou que o momento atual é marcado por manipulações da verdade, e que o cinema tem o poder de contar histórias que envolvem drama humano, poesia e amor. O ator Wagner Moura, que não pôde comparecer à cerimônia, também enviou uma mensagem de agradecimento, expressando seu amor pelos Prêmios Platinos e pela celebração da cinematografia em língua portuguesa.
O Agente Secreto, ambientado na década de 1970, retrata a história de Armando, um professor universitário forçado a fugir de São Paulo para Recife, adotando uma nova identidade. O filme incorpora elementos da cultura pernambucana, como a lenda da perna cabeluda e a música da Banda de Pífanos de Caruaru. Com essa conquista, o filme totaliza oito Prêmios Platinos, evidenciando seu impacto e a recepção positiva pelo público e pela crítica.
No evento, o produtor Brunno Pacini, de Apocalipse nos Trópicos, destacou a capacidade dos documentários de transformar traumas em memória e movimento. Ele agradeceu a todos os envolvidos no projeto, enfatizando a importância da narrativa documental no contexto atual. A série Beleza Fatal, uma produção brasileira que se assemelha a uma novela, também se destacou ao levar o prêmio de Melhor Série de Longa Duração, com a diretora Maria de Médicis homenageando o falecido diretor Dennis Carvalho.
Nesta edição dos Prêmios Platinos, o Brasil foi representado por sete produções que competiram em 36 categorias, entre aproximadamente 100 obras indicadas de toda a Ibero-América. A cerimônia reafirma a força e a diversidade do audiovisual brasileiro no cenário internacional.






