O julgamento de João Augusto Borges, que é acusado de assassinar sua companheira Vanessa Eugênia Medeiros, de 23 anos, e a filha do casal, Sophie Eugênia, de apenas 10 meses, ocorreu nesta quarta-feira (27) em Campo Grande. Durante o processo, depoimentos de colegas de trabalho do réu foram fundamentais para desmantelar a narrativa apresentada por ele após os crimes. Um dos relatos mais impactantes foi o de Welisson, que afirmou ter recebido mensagens e ligações insistentes de João logo após os assassinatos, mostrando essas comunicações ao gerente da empresa em que trabalhavam.
Welisson revelou que, há algum tempo, João vinha comentando com os colegas sobre sua intenção de matar Vanessa e a filha. Inicialmente, os colegas não levaram a sério as ameaças feitas pelo acusado. O funcionário recordou que João questionou sobre quem poderia ajudar a cometer um crime e, dias depois, expressou seu desejo de matar a esposa, justificando que ela “não deixava fazer nada”. Esse tema foi reiterado em diversas ocasiões no ambiente de trabalho.
No dia em que os crimes ocorreram, João saiu para o almoço por volta das 15h e retornou por volta das 18h. Ao voltar, teria se aproximado de Welisson e simplesmente declarado: “Está feito”. O colega percebeu que o acusado apresentava arranhões no pescoço e um dedo machucado. Após esse momento, João deixou novamente o trabalho e, posteriormente, começou a contatar Welisson por mensagens e ligações, mencionando que “o corpo estava começando a feder” e perguntando onde o colega estava, numa clara tentativa de obter ajuda para ocultar os corpos.
Welisson, preocupado, decidiu ignorar os contatos e, no dia seguinte, apresentou as conversas ao gerente da empresa, que encaminhou as informações ao proprietário e, em seguida, à polícia. O funcionário também relatou que ofereceu cuidar da bebê após João afirmar que mataria Vanessa e que “a menina iria junto”.
Durante o julgamento, João negou as acusações, insistindo que não havia planejado nada. Ele confirmou que retornou ao trabalho após os assassinatos e, em seguida, colocou os corpos no carro do pai, ateando fogo em uma área na Rua Desembargador Ernesto Borges. O crime, que chocou a comunidade de Campo Grande, ocorreu na tarde de 26 de maio de 2025, na região do Indubrasil.
De acordo com os registros da investigação, João chamou Vanessa para o quarto sob o pretexto de ter uma conversa e a matou utilizando um golpe de “mata-leão”. Em seguida, ele estrangulou a filha, que estava deitada na cama. Após cometer os crimes, o réu seguiu sua rotina normal de trabalho. Horas depois, adquiriu gasolina, transportou os corpos em um veículo da família e os incinerou em um local específico. Durante uma audiência realizada em agosto do ano anterior, ele alegou que os crimes foram cometidos em um “acesso de raiva”, após ter sido agredido pela companheira. Na mesma ocasião, admitiu já ter cogitado, anteriormente, a possibilidade de matar Vanessa e a filha. João foi preso em 27 de maio de 2025, respondendo pelos crimes de duplo feminicídio e ocultação de cadáver.






