Curso pioneiro em línguas indígenas é autorizado em Mato Grosso do Sul

A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) está prestes a lançar um curso de Letras com especialização nas línguas Terena e Guarani Kaiowá, um avanço significativo após uma luta de 10 anos. A autorização para a criação do curso foi assinada em julho, durante o evento Pantanal Tech, e agora a expectativa recai sobre a formação da comissão e o lançamento do edital, marcando um fato inédito no Brasil.

A UEMS se destaca como a primeira universidade brasileira a reservar 10% das vagas de todos os seus cursos de graduação para estudantes indígenas, uma iniciativa que começou em 2002. Atualmente, 45% das vagas da instituição são destinadas a cotistas, demonstrando um compromisso contínuo com a inclusão. A ex-secretária de Estado da Cidadania de Mato Grosso do Sul, Viviane Luiza, que atualmente é candidata a deputada federal, foi uma das principais interlocutoras para a criação da especialização.

Marlon Leal Rodrigues, professor da UEMS e coordenador do Núcleo de Estudos em Análise de Discurso (NEAD), enfatiza a importância do curso para a comunidade acadêmica, afirmando que “a alma do povo está na língua, é o que determina nossa visão de mundo”. A necessidade de um curso como esse foi identificada em 2016, quando um ex-aluno Terena apresentou um trabalho que destacava essa demanda. Embora uma especialização em Língua e Cultura Terena tenha sido criada, a ideia de uma graduação continuou a ser uma aspiração.

Durante a proposta do curso, a universidade visitou mais de 15 aldeias indígenas em Mato Grosso do Sul, dialogando com líderes, comunidades e educadores. O apoio de Viviane Luiza foi crucial, pois ela se tornou uma aliada junto ao governador Eduardo Riedel, que autorizou a criação do curso.

Fernando Souza, uma liderança Terena e candidato a deputado estadual, expressou sua satisfação com a autorização, afirmando que isso fortalece a identidade dos indígenas no Estado. A professora Dália Terena também comentou sobre a relevância do curso, destacando que ele atende às necessidades da comunidade indígena e contribui para o fortalecimento da identidade.

Elizangela, professora da UEMS, considera a autorização como a realização de um grande trabalho e o cumprimento de um sonho. A primeira turma do curso está prevista para iniciar em 2027, com a oferta de 70 vagas, o que representa um marco importante para a educação indígena no Brasil.

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