A destilaria de etanol, estabelecida em 2002 na zona rural de Iguatemi, Mato Grosso do Sul, tem se tornado um dos principais focos de investigações sobre sonegação de tributos e lavagem de dinheiro. Localizada a 350 quilômetros de Campo Grande, a estrutura, que abriga a Destilaria Centro-Oeste Iguatemi, se transformou em um ponto de encontro para empresas envolvidas em crimes tributários, sendo alvo de operações como a Carbono Oculto.
Atualmente, o espaço é visto como uma incubadora de empresas que operam irregularmente no setor de combustíveis. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) busca penhorar a área por meio da Justiça Federal, visando garantir o pagamento das dívidas das empresas que operam no local. As investigações revelaram que o local, interditado em agosto de 2025, abrigava um esquema de fraudes fiscais.
Entre os envolvidos, destacam-se empresários como Armando Hussein Ali Mourad e seus irmãos, que gerenciam a Safra Distribuidora de Petróleo, uma das empresas que operam na destilaria. A Operação Carbono Oculto, realizada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, apontou para a atuação de Mohamad Murad e Roberto Augusto Leme, que seriam os responsáveis por gerenciar o esquema de fraude.
As investigações indicam que existe uma conexão entre as operações fraudulentas e a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Além da Safra, outras empresas, como a Alpes Distribuidora de Petróleo, estão ligadas a essa rede de irregularidades. O local, que antes funcionava como uma destilaria, agora é considerado um "coworking" de fraudes fiscais de combustíveis.
A Alpes Distribuidora de Petróleo e a Vetor Comércio de Combustíveis, ambas situadas em Iguatemi, são as maiores devedoras do fisco federal Em Mato Grosso do Sul, com dívidas que somam quase R$ 6 bilhões. A Alpes, com um débito de R$ 2,93 bilhões, e a Vetor, com R$ 2,04 bilhões, surgiram no Estado do Paraná, e suas operações estão no centro das investigações sobre o esquema de fraude.
Recentemente, a Secretaria de Fazenda de Mato Grosso do Sul cancelou a inscrição estadual de algumas empresas ligadas a esse esquema, mas elas podem recorrer judicialmente para tentar reverter essa decisão, como já ocorreu com a Ecológica. O desdobramento dessas ações ainda deve impactar o cenário das distribuidoras de combustíveis na região e a luta contra a sonegação fiscal.






