Na tarde desta quinta-feira (6), em Campo Grande, dois trabalhadores passaram mal enquanto realizavam serviços na caixa d'água do Centro de Belas Artes. Eles estavam envolvidos em atividades de impermeabilização, utilizando maçarico e manta asfáltica, quando a combinação de fatores levou à falta de oxigênio no local. Além disso, o uso de maçarico a gás em um ambiente fechado resultou na acumulação de gases inflamáveis, o que causou a intoxicação dos operários.
Um terceiro colega percebeu a situação e, ao ver os dois trabalhadores desacordados, conseguiu retirá-los da caixa d'água, antes de acionar o Corpo de Bombeiros. A equipe de resgate, ao chegar, encontrou os homens em um local de difícil acesso e elevado, onde realizaram o primeiro atendimento. Os bombeiros estabilizaram as vítimas enquanto se preparavam para efetuar a descida dos trabalhadores utilizando um sistema de movimentação vertical.
O resgate foi complexo e demandou cerca de 40 minutos, envolvendo entre 15 e 20 militares. Um dos trabalhadores recuperou a consciência durante o salvamento e foi levado a uma unidade de saúde, já o outro, embora tenha voltado a si, apresentava desorientação devido à inalação de solvente.
Especialistas alertam para a importância do uso de equipamentos de proteção individual (EPI) em ambientes confinados. A falta de ventilação nestes locais pode resultar em situações perigosas, exigindo mensuração dos gases presentes antes do acesso. A orientação é fundamental para evitar incidentes semelhantes, principalmente em obras que envolvem serviços de impermeabilização e uso de materiais potencialmente perigosos.
O Centro de Belas Artes está passando por uma intervenção que visa concluir o chamado “puxadinho” do complexo. O projeto em execução abrange cerca de 4,3 mil metros quadrados, dentro de uma área total de aproximadamente 16 mil m², e inclui a implantação de sistemas de água, esgoto e drenagem, além de instalações elétricas e climatização. Quando finalizado, o espaço contará com salas de dança, auditório e um Arquivo Histórico de Campo Grande, destinado à pesquisa e restauração.
A obra, que já enfrenta atrasos desde 1990, passou por diversas tentativas de conclusão, com acordos firmados com o Ministério Público Estadual em anos anteriores, mas que não avançaram conforme o esperado. A nova contratação, prevista para 2025, representa mais uma tentativa de finalizar as obras que estavam paralisadas desde 2022.





