Mato Grosso do Sul se destaca no cenário econômico nacional com uma projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) significativamente superior à média brasileira. Impulsionado pelo forte desempenho do agronegócio e pela consolidação de indústrias voltadas para o mercado externo, o estado sul-mato-grossense demonstra resiliência e perspectivas otimistas.
Enquanto a estimativa para o crescimento do PIB brasileiro é de 2,2%, Mato Grosso do Sul almeja um patamar de 4,8%. Essa disparidade reflete a capacidade do estado em prosperar, mesmo diante de um cenário econômico nacional de crescimento moderado.
O governador Eduardo Riedel, durante evento na Bolsa de Valores do Brasil (B3), expressou otimismo em relação ao futuro econômico do estado. Ele ressaltou o crescimento de 13% no PIB estadual em 2023 e projetou que, em 2025, o crescimento será de “três a quatro vezes” superior ao do Brasil.
O PIB brasileiro, por sua vez, registrou um aumento de apenas 0,1% no terceiro trimestre, indicando uma estagnação do crescimento. Apesar de uma retração de 17,6% no PIB agropecuário em 2024, Mato Grosso do Sul projeta um crescimento de 17,2% no setor, enquanto o Brasil espera um avanço de 8,2%. Na indústria, a projeção é de 2,1% para o estado e 1,7% para o país. O setor de comércio e serviços deve crescer 2,7% em MS e 2,2% no Brasil.
Para o doutor em Economia Michel Constantino, o contraste entre o desempenho de Mato Grosso do Sul e o ritmo nacional revela falhas na condução do desenvolvimento econômico pelo governo federal. Ele critica a falta de um plano de crescimento baseado em investimentos em áreas como educação, segurança, saúde e economia.
Segundo Constantino, a ausência de planejamento resultou em um quadro inflacionário persistente, aumento de juros e comprometimento das políticas fiscais. “O governo federal não fez o dever de casa”, afirma.
Essa visão crítica converge com as análises que apontam para limites estruturais ao crescimento brasileiro, como a redução no ritmo do setor de serviços e do consumo doméstico.
O mestre em Economia Eugênio Pavão pondera que o ciclo de juros altos começa a impactar a economia nacional, mas Mato Grosso do Sul se beneficia da atração de investimentos privados para setores de longo prazo e foco em exportações. A implantação de indústrias com forte demanda internacional garante resiliência ao estado.
Pavão destaca que a atração de grandes investimentos, impulsionada pela infraestrutura e benefícios fiscais, tem garantido o crescimento na contramão de outras economias regionais. A resiliência do estado se estende à superação de barreiras comerciais, como o “tarifaço” dos Estados Unidos, compensado pela busca de novos mercados na Ásia e no Oriente Médio.




