Empresas atuantes em Mato Grosso do Sul buscam barrar a aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros que estão sendo analisadas pelo governo de Donald Trump. Com a expectativa de uma decisão final, as indústrias locais, especialmente aquelas ligadas à energia e transformação, realizaram uma ofensiva no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
Durante uma audiência pública, a JBS e a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), que representa as usinas de etanol do Estado, manifestaram sua preocupação e solicitaram que os produtos brasileiros sejam excluídos da medida. A investigação sobre as tarifas foi aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, que permite a avaliação de práticas comerciais consideradas injustas.
O Brasil foi incluído no processo que pode resultar em tarifas adicionais sobre produtos nacionais. As empresas e cidadãos tiveram a oportunidade de apresentar suas argumentações na audiência pública, mas a decisão definitiva ainda não foi divulgada. O prazo para a definição se encerra no próximo dia 15.
Um representante do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, em entrevista à Fox Business Network, afirmou que as contribuições recebidas estão em análise e que uma posição será anunciada em breve. "Estamos tentando negociar e ainda há uma distância considerável entre as partes. A decisão final sobre o Brasil será divulgada em breve, dentro do prazo legal até 15 de julho," explicou.
Enquanto a expectativa pela decisão se mantém, o comércio entre Mato Grosso do Sul e os Estados Unidos já apresenta sinais de desaceleração. Após registrar embarques de US$ 73,39 milhões em abril, os valores caíram para US$ 36,53 milhões em maio, uma redução de 50%. A economista Bruna Mendes Dias, da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, destacou que ainda é prematuro avaliar o IMPACTO dessas tarifas.
"Desde o início do governo Trump, o uso de tarifas tem sido uma estratégia frequente em negociações comerciais. Observamos anúncios, revisões e acordos sendo formulados ao longo desse tempo. Por isso, embora o anúncio das tarifas necessite de atenção, é cedo para medir seus efeitos definitivos, já que essas medidas costumam passar por ajustes e tratativas entre os países envolvidos," afirmou Bruna Mendes Dias.





