A Missão de Dióxido de Carbono e Metano, denominada CoMet 3.0 Tropics, está em andamento no Pantanal e reúne cientistas de diferentes países, incluindo Brasil, Alemanha, Estados Unidos, Colômbia, Polônia, Espanha, Áustria, Itália, Índia e França. O projeto tem como objetivo coletar dados sobre a emissão de dois gases que são principais responsáveis pelo efeito estufa, contribuindo para o aumento das temperaturas. As pesquisas visam compreender os efeitos específicos nos trópicos úmidos, com a coordenação do doutor Dirceu Luis Herdies, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em parceria com o doutor Andreas Fix, do Centro Espacial Alemão.
A aeronave que realiza as coletas chegou ao Brasil no dia 25 de julho, desembarcando em Fortaleza (CE), e está realizando voos que vão de Corumbá até Porto Velho (RO). A partir de 31 de julho, o AVIÃO Halo, que é um High Altitude and Long Range Research Aircraft, começou a coletar dados sobre os gases na região do Pantanal e na Bolívia, utilizando múltiplos sensores remotos e amostragem direta. Durante uma das missões, foi possível registrar sinais significativos de metano, o que permitirá uma análise mais aprofundada sobre as emissões naturais em áreas úmidas e sua comparação com as fontes de origem antropogênica.
O voo pelo Pantanal, que teve a duração de oito horas, partiu de Cuiabá (MT). Para dar continuidade a essas pesquisas, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) emitiu uma nova portaria no dia 14, autorizando novas coletas. Um total de 120 pesquisadores foi nomeado na autorização, permitindo sua atuação direta no Brasil. As atividades de coleta têm a anuência prévia do Conselho de Defesa Nacional (CDN) e foram regulamentadas por atos datados de 22 de junho de 2026, que concedem autorização para sobrevoos na região do Pantanal e no sul da Bacia Amazônica, onde os dados serão coletados pela aeronave Halo, com base em Cuiabá (MT).
A aeronave utilizada na pesquisa é um modelo Gulfstream G550, operado pelo Centro Espacial Alemão. Conhecido como Halo, esse AVIÃO é projetado para voos em uma ampla faixa de altitudes, variando de 850 metros até 15 mil metros, o que o torna ideal para a coleta de dados atmosféricos. O modelo já foi empregado em outras campanhas científicas no Brasil, como a Cafe-Brazil, realizada entre 2022 e 2023, e a Acridicon-Chuva, em 2014, que buscou investigar interações entre aerossóis, nuvens, química atmosférica e convecção na Amazônia.
Equipado com a tecnologia Light Detection and Ranging (Lidar), o AVIÃO projeta pulsos de laser que permitem medir com precisão as concentrações de metano e dióxido de carbono na atmosfera. Além disso, conta com instrumentos de sensoriamento remoto que monitoram os principais gases de efeito estufa, assim como traçadores que ajudam a caracterizar as massas de ar, sendo dedicados exclusivamente às medições atmosféricas.




