Exercício Reduz Risco de Morte por Câncer de Próstata em Até 36%

Em meio à campanha Novembro Azul, especialistas reforçam a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de próstata, o segundo tipo mais comum entre homens no Brasil. Embora a idade avançada e o histórico familiar sejam fatores de risco importantes, o estilo de vida emerge como um elemento crucial na prevenção da doença.

Obesidade e sedentarismo estão associados a formas mais agressivas do tumor, enquanto a prática regular de exercícios físicos demonstra ser uma estratégia eficaz para reduzir a incidência e a mortalidade. Um estudo de 2024 revelou que homens que mantêm uma rotina de pelo menos 30 minutos diários de atividade física moderada apresentaram uma redução de até 36% no risco de morte precoce, mesmo com predisposição genética.

A explicação reside na capacidade do exercício de regular os níveis hormonais, a função imunológica e o peso corporal, fatores diretamente ligados à saúde da próstata. Um urologista destaca que o sedentarismo, a má alimentação e o tabagismo estão associados a um maior risco de desenvolver a doença e a formas mais agressivas do tumor. A atividade física regular, ao contrário, ajuda a manter o peso ideal, melhora a imunidade, regula hormônios e reduz processos inflamatórios, além de otimizar a resposta aos tratamentos e a qualidade de vida.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima cerca de 71.730 novos casos da doença no Brasil até o fim deste ano, considerando o período iniciado em 2023. Em 2023, o Ministério da Saúde registrou 17.093 mortes por câncer de próstata. A Sociedade Brasileira de Urologia afirma que a cura pode chegar a 98% se o diagnóstico for precoce.

O câncer de próstata, em fases iniciais, geralmente não apresenta sintomas. A detecção precoce é feita por exames de rotina, como o toque retal e a dosagem do PSA no sangue. Quando os sintomas aparecem, como dificuldade para urinar, jato urinário fraco, presença de sangue na urina ou dor óssea, a doença está em fase avançada. A cirurgia continua sendo o principal método curativo, com técnicas minimamente invasivas que oferecem recuperação mais rápida e maior preservação da continência urinária e da função sexual.

A genética responde por até 60% do risco de desenvolver câncer de próstata, com 10% dos casos no Brasil tendo origem hereditária. Nesses pacientes, o tumor aparece antes dos 50 anos e progride mais rápido. Estudos demonstram que combinar testes genéticos germinativos com sequenciamento somático detecta mais mutações hereditárias.

O gene BRCA2 lidera as alterações hereditárias, aumentando o risco da doença em até 60%. Mutações no gene BRCA1 conferem um aumento de risco de 3,8 vezes. O gene HOXB13 triplica ou quintuplica o risco geral. Homens com síndrome de Lynch enfrentam riscos elevados devido a mutações nos genes MLH1, MSH2 e MSH6, com probabilidade de desenvolver câncer de próstata chegando a 30% até os 70 anos.

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