Facções criminosas historicamente ligadas ao tráfico de drogas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), expandiram suas operações para o contrabando de cigarros provenientes do Paraguai. Investigações da Polícia Federal (PF) indicam essa mudança no cenário criminal.
Na fronteira entre Mato Grosso do Sul e o Paraguai, a PF aponta que o negócio, antes dominado por quadrilhas especializadas em contrabando, agora conta com a influência direta das facções criminosas. “Existem informações muito consistentes de que facções criminosas já estão controlando esta atividade criminosa na fronteira”, informou a Polícia Federal.
O envolvimento das facções se justifica pelo alto potencial de lucro e pelo risco relativamente menor em comparação com o tráfico de drogas. Segundo a PF, o contrabando de cigarros se tornou “uma alternativa muito rentável e com menor risco de prisão do que o tráfico de drogas”, incentivando criminosos a se dedicarem a essa atividade, com penas mais brandas e alta lucratividade.
A localização de Mato Grosso do Sul, com extensa fronteira com o Paraguai, país produtor de cigarros ilegais, torna o estado um ponto estratégico para o contrabando. Quadrilhas se aproveitam da fragilidade da fronteira para introduzir o produto ilegal no Brasil.
A distribuição de cigarros na região já existia antes da consolidação das facções, com grupos especializados nesse tipo de atividade. Recentemente, a Polícia Federal desmantelou um grupo que atuava no contrabando na fronteira, com uma estrutura considerável para levar os produtos até o interior de São Paulo.
A organização criminosa contava com uma frota de veículos para transportar os cigarros do Paraguai para a região de Dourados e atuava há pelo menos seis anos, movimentando cerca de R$ 600 milhões. Carros de porte médio eram utilizados em comboios com mais de 10 veículos, partindo de Pedro Juan Caballero em direção a Dourados, com destino principal à região de Presidente Prudente (SP).
A investigação teve início após uma apreensão da Polícia Militar durante um bloqueio policial na fronteira. Um comboio de 12 veículos tentou furar o bloqueio, resultando na apreensão de três carros, cada um transportando mais de 2 mil pacotes de cigarros.
Estima-se que o grupo seja composto por pelo menos 20 integrantes, responsáveis pela logística de transporte da carga desde o Paraguai até o interior de São Paulo, atuando desde 2019.
Mato Grosso do Sul é uma área com forte presença do PCC, especialmente em Ponta Porã e outros municípios na fronteira com o Paraguai. O Comando Vermelho, por sua vez, tem maior atuação no norte do estado, na divisa com Mato Grosso, embora também esteja presente em municípios da fronteira paraguaia, como Coronel Sapucaia. As facções criminosas disputam o controle de rotas de drogas e armas, gerando conflitos e impactando os índices de violência na região. Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostram que municípios de fronteira registraram 2 a cada 10 assassinatos no estado este ano. Além da atuação nas ruas, o Comando Vermelho tem se estruturado dentro dos presídios desde 2022, montando uma base no estado.






