Keiko Fujimori assume a presidência do Peru em cerimônia de independência

Keiko Fujimori assumiu a presidência do Peru nesta terça-feira, 28, em uma cerimônia realizada no Congresso, marcada por desafios significativos como o aumento do crime organizado e a instabilidade política. Durante o juramento, Fujimori declarou seu compromisso em defender a soberania nacional, a democracia e a independência dos poderes, além de se comprometer a cumprir a Constituição e zelar pela integridade de todos os peruanos, com especial atenção aos historicamente marginalizados. A nova presidente recebeu a faixa presidencial, de cores vermelho e branco, em um evento que contou com aplausos de senadores e deputados de seu partido, a Força Popular, e de delegações internacionais.

A cerimônia teve início com uma missa tradicional em celebração aos 205 anos da independência do Peru e culminou no Congresso, onde ocorreu a transferência de poder e o primeiro pronunciamento oficial de Fujimori. Durante seu discurso, ela enfatizou a necessidade de intensificar o combate ao crime organizado, que considera o principal desafio de sua administração. Além disso, abordou a necessidade de medidas para estabilizar a política e impulsionar a economia, assim como os possíveis efeitos do fenômeno El Niño no país.

Após a posse, a presidente foi recebida por um ambiente misto, que incluía tanto apoiadores quanto críticos. Milagros Samillán, irmã de um estudante de medicina que foi assassinado em 2023, expressou descontentamento com a nova liderança, afirmando que Fujimori não representa a população que busca justiça. Ela mencionou que a bandeira do Peru estava sendo lavada em memória dos mortos durante os protestos de 2022 e 2023, e de outros que perderam a vida sob o governo de Alberto Fujimori, que ocorreu entre 1990 e 2000.

A presença de suas filhas e irmãos na cerimônia também chamou atenção, especialmente a ausência de Kenji Fujimori, que foi expulso da Fuerza Popular em 2018. A nova presidente, em seu discurso, reafirmou sua determinação em enfrentar os desafios que o país enfrenta, destacando a necessidade de uma resposta firme às demandas de segurança pública e à recuperação da confiança nas instituições políticas.

Fujimori, que já havia disputado a presidência anteriormente, agora busca solidificar sua posição em um cenário político conturbado. O partido de Fujimori, no Parlamento, teve um papel importante ao proteger a ex-presidente Dina Boluarte de diversos pedidos de impeachment, até sua destituição em outubro de 2025. A nova administração terá a tarefa de se mostrar eficaz em um contexto de insatisfação popular e expectativas elevadas por mudanças significativas.

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