A divulgação do laudo da Perícia Criminal da Polícia Federal, que não encontrou vestígios de cocaína na carga de madeira apreendida durante a Operação Timber Shield, gerou novos desdobramentos no caso que inicialmente foi anunciado como a maior apreensão de cocaína da história do Brasil. Com o resultado do exame, a defesa das empresas proprietárias dos caminhões e carretas utilizados no transporte da carga solicita a liberação dos veículos que ainda estão retidos, argumentando que a conclusão da perícia elimina os fundamentos para a manutenção da apreensão.
A Operação Timber Shield foi deflagrada em 21 de junho, nas alfândegas de Corumbá (MS) e Cáceres (MT), após uma força-tarefa que envolveu a Receita Federal, a Polícia Federal, o Exército Brasileiro, além do apoio de autoridades dos Estados Unidos e da Aduana da Bolívia. No início da operação, as autoridades anunciaram que a carga poderia conter entre 20 e 50 toneladas de cocaína, supostamente impregnada em toras de madeira. Ao todo, foram apreendidos oito caminhões carregados com aproximadamente 260 toneladas de madeira, sendo quatro em Corumbá e quatro em Cáceres.
Os veículos permanecem sob retenção para a realização de perícia e investigações. Contudo, o laudo pericial, concluído em 17 de julho e revelado nesta quarta-feira (22) pelo jornal O Estado de S. Paulo, confirmou a ausência de vestígios de cocaína nas amostras analisadas. O documento detalhou que diferentes técnicas foram empregadas para verificar a suspeita de droga impregnada na madeira, incluindo análises laboratoriais, coletas diretas na carga retida em Corumbá, uso de cães farejadores, espectrômetro a laser e testes químicos complementares.
Os peritos também destacaram que a madeira de aroeira, utilizada na carga, possui alta densidade e baixa capacidade de absorção, características que dificultam sua utilização como matriz para a ocultação de entorpecentes. Todas as amostras examinadas apresentaram resultado negativo para cocaína.
Com a conclusão do laudo, a principal hipótese que motivou a Operação Timber Shield foi desmontada, o que deve afetar os próximos desdobramentos administrativos e judiciais do caso, incluindo a situação dos veículos retidos. Até o momento da publicação desta reportagem, a Receita Federal não havia se manifestado oficialmente sobre o resultado da perícia, nem se havia planos para liberar as carretas ou manter as apreensões.





