A cultura guarani vai representar o Brasil no maior festival de documentários dos Estados Unidos. Longa de estreia da diretora Jade Rainho, “O Jardim de Maria” integra a seleção oficial do Doc NYC, o mais importante evento do gênero no país, que acontece neste mês.
Produzido pela Andara Filmes, em parceria com a Cadju Filmes e a Surreal Hotel Arts, o documentário acompanha uma matriarca indígena que “replanta” uma aldeia guarani às margens da maior cidade do Brasil.
O cenário dessa história é a Terra Indígena do Jaraguá, em São Paulo, uma das últimas áreas de Mata Atlântica preservadas na região metropolitana.
Conhecido por abrigar o Parque Estadual do Jaraguá e o Pico do Jaraguá, ponto mais alto da cidade, o local é também território de sete aldeias indígenas. É ali que Maria, protagonista do filme, afirma-se como liderança destemida e respeitada, figura central na luta pela demarcação das terras guarani.
Com olhar sensível para registrar costumes, espiritualidade e modos de vida, Jade Rainho retrata a batalha de Maria e sua família para recuperar o que antes foi uma área de esgoto e transformá-la, mais uma vez, em aldeia.
A delicadeza de “O Jardim de Maria” chamou a atenção de cineastas como Joel Pizzini (“Imersão lírica e reveladora no mundo de Maria”) e Luiz Bolognesi (“Filme sensível que nos permite sentir a poesia da resistência guarani”).
“O Jardim de Maria” será exibido na seção Big Blue do Doc NYC, dedicada a filmes que exploram temas ligados à natureza. A sessão acontece no dia 15, seguida por uma conversa com a diretora Jade Rainho e a produtora Julia Bock. A distribuição do filme no Brasil será feita pela Descoloniza Filmes.
“O filme mergulha, com intimidade e lirismo, no mundo da anciã guarani-mbya Maria, no qual resistência, ecologia e espiritualidade oferecem um caminho para a sobrevivência e a renovação.
Por meio do reflorestamento, de rituais medicinais e de uma intensa defesa dos direitos sobre a terra, Maria se torna tanto guardiã da Mata Atlântica quanto portadora da sabedoria de sua comunidade e reconquista uma paisagem devastada, transformando-a em um jardim exuberante”, afirma Ruth Somala, curadora da seção Big Blue.
Jade Rainho é poeta, documentarista, educadora e ativista pelos direitos humanos e da natureza. Seu curta-metragem de estreia, “Flor Brilhante e as Cicatrizes da Pedra” (2014), esteve em mais de 60 festivais, em 21 países, foi traduzido para seis idiomas e ganhou prêmios no Brasil, Bolívia, Peru e México.
Também é diretora e roteirista dos premiados curtas “Hermanos, Aqui Estamos” (2022) e “Cacica – A Força da Mulher Xavante” (2022). (Da Redação)





